(10/11/2013) – Não há o risco de um “apagão” generalizado de mão de obra de Engenharia no Brasil, ainda que se reconheçam alguns sinais de pressões de curto prazo no mercado de trabalho. Esta é a conclusão de um dos artigos que subsidiaram o debate sobre escassez de engenheiros no Brasil, promovido no último dia 5 de novembro, em Brasília, pelo IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em parceria com a USP e a ABDI – Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial.
O texto, de autoria de Mario S. Salerno, Leonardo M. Lins, Bruno C. P. O. de Araújo, Leonardo A. V. Gomes, Demétrio Toledo, pesquisadores da USP, e Paulo M. Nascimento, do Ipea, indica que, em termos quantitativos, estas pressões tendem a ser resolvidas com a ampliação da oferta de novos engenheiros, uma vez que os cursos da área voltaram a atrair os alunos.
O artigo aponta quatro dimensões que podem explicar a percepção de alguns agentes econômicos sobre escassez de mão de obra em Engenharia: a qualidade dos engenheiros formados, uma vez que a evolução na quantidade não foi acompanhada pela mesma evolução na qualidade; o hiato geracional, o que dificulta a contratação de profissionais experientes para liderar projetos e obras; os déficits em competências específicas; e, os déficits em regiões localizadas.
Por outro lado, os autores alertam para o fato de que a inexistência de gargalos não significa a falta da necessidade de ampliação dos investimentos no ensino de Engenharia, particularmente nas universidades públicas. Para eles, a Engenharia está profundamente ligada ao desenvolvimento econômico e à inovação “e o Brasil apresenta um baixo índice de engenheiros por habitante e de formados no ensino superior”.
Os autores lembram ainda que a formação em engenharia capacita a pessoa a inúmeras atividades, dentro ou fora daquelas chamadas típicas. “Ao contrário do que alguns dizem, não consideramos como problema ter engenheiros trabalhando em bancos, em empresas de serviço, em empresas de consultoria, na produção de pesquisas e textos sobre engenheiros etc.: o problema maior é não ter engenheiros e ter uma economia que pouco necessite deles”.
