(06/12/2009) – “Não fosse a queda nas nossas exportações, eu ousaria dizer que já estaríamos no mesmo nível do ano passado”, afirma Alfredo Ferrari, diretor de Vendas da Ergomat. Segundo Ferrari, os sinais de recuperação dos negócios no setor de máquinas-ferramenta que surgiram no início do segundo semestre, foram crescendo gradativamente e ganharam volume com o lançamento das novas condições de financiamento de bens de capital oferecidas pelo BNDES, transformando-se em sinais de uma retomada sólida e crescente.
Há duas semanas, durante a realização da 11ª Expoergo, exposição interna organizada pela Ergomat em suas instalações, em São Paulo, Ferrari diz ter confirmado essa tendência do mercado. Segundo ele, o evento foi marcado por uma visitação acima da esperada e pelo grande interesse demonstrado pelos clientes. Com isso, o estoque formado no período mais agudo da crise, no final de 2008 e no início de 2009, já foi praticamente todo comercializado. “Para alguns modelos, o prazo de entrega já está para o primeiro trimestre de 2010”.
MODERNIZAchr38Ccedil;ÃO – Na avaliação de Ferrari, grande parte dos negócios fechados neste período foi para empresas que estão investindo na modernização de seus parques industriais. Para tanto, considera que foi fundamental o estímulo oferecido aos compradores pelas novas condições de financiamento da Finame para bens de capital (juros de 4,5%, maior prazo de carência e até 10 anos para pagar). “Esse fato contribuiu bastante para o aumento dos negócios. Cerca de 60% das nossas vendas nos últimos dois meses foram através da Finame”, observa. “Considero fundamental para a economia brasileira e para a sua indústria de bens de capital que esse programa tenha continuidade em 2010”.
Por outro lado, acrescenta que recentemente começou a receber os primeiros pedidos de empresas que estão visando o aumento da capacidade produtiva. “Esses novos pedidos têm vindo principalmente de empresas do setor de autopeças, prestadores de serviços de usinagem e de fabricantes de produtos médicos-hospitalares”, informa.
CÂMBIO – O diretor conta que dois fatores impediram um melhor desempenho da Ergomat em 2009: queda nas exportações e câmbio. Historicamente, as vendas externas representam de 20% a 25% do faturamento da empresa. Este ano, ficará na faixa dos 5%. “Isto porque nos últimos anos investimos na expansão de nossas vendas no Exterior, conquistando novos clientes na Nova Zelândia, Austrália e Egito, entre outros (a Ergomat exporta hoje para 32 países), já que os negócios na Europa – e em especial na Alemanha, nosso maior mercado no Exterior -, e nos EUA estão praticamente paralisados”.
Quanto ao câmbio, avalia que a valorização do real “é um problema muito sério, que coloca em risco todo o setor de manufatura do Brasil”. Com a atual taxa de câmbio, cresce a importação de produtos acabados, com sérios prejuízos para toda a indústria brasileira. “Uma mudança na política cambial, que eleve a atual taxa cambial para um patamar saudável para a economia como um todo, provocará crescimento dos investimentos, aumento nas exportações e o fortalecimento na confiança dos empresários nacionais para realizarem os seus investimentos”, acrescenta.