(29/11/2009) – No meio do furacão da crise, em abril, a Kyocera concluiu o projeto de instalar um Tech Center em Sorocaba (SP). Equipado com torno CNC, centro de usinagem e softwares de CAD/CAM (em parceria com a Romi, UVW e Blaser), o local é voltado ao treinamento de clientes e distribuidores e, principalmente, para simular a usinagem de peças de clientes, permitindo aos técnicos da empresa a entrega de soluções “turnkey”.
Marcelino Kawamura, gerente de Marketing e TI, não revela o valor investido no Tech Center, apenas informa que o projeto já fazia parte dos planos da matriz japonesa, que adotou a estratégia de ampliar a presença nos países que compõem os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China). “A partir dos recursos disponíveis no Tech Center já conseguimos conquistar alguns clientes”, afirma.
Como exemplo, cita o caso de uma fabricante de aeropeças que estava fazendo testes com uma ferramenta da Kyocera, mas não estava obtendo o resultado esperado. A solução foi trazer a peça para o Tech Center, realizar os testes internamente, otimizar o processo e devolver para o cliente a solução pronta. “Nós somos uma empresa relativamente nova no mercado brasileiro, efetivamente estamos aqui desde 2006, então precisamos mostrar as possibilidades e comprovar nos testes”, explica.
Outra vantagem do Tech Center é a de permitir a realização de testes dos novos produtos adaptados à realidade brasileira. Isso porque, segundo Kawamura, “muitos materiais teoricamente iguais, como ferro fundido, têm várias diferenças dependendo do local onde foram produzidos”, argumenta.
MERCADO – Kawamura se diz otimista com o mercado brasileiro no próximo ano. “2010 é bastante promissor”, diz, lembrando que no primeiro semestre a Kyocera, assim como a grande maioria das empresas que atuam no mercado local, enfrentou retração no volume de negócios. “No segundo semestre, porém, teve início a recuperação de vários segmentos, com tendência a se acentuar no próximo ano”, avalia.
Em vista desta tendência, a subsidiária brasileira planeja estender sua presença no Brasil, contratando distribuidores e representantes nos mercados aonde ainda não atua, em especial no Nordeste, onde o gerente considera que existem várias oportunidades ainda não exploradas pela companhia, casos de Bahia e Pernambuco. Por outro lado, conta que “a matriz está bastante comprometida com o plano de crescimento no mercado brasileiro”. Para acompanhar o mercado e trazer subsídios, a filial tem recebido visitas frequentes de executivos e técnicos do Japão.
HISTÓRIA – Kawamura conta que a Kyocera – hoje um conglomerado que reúne 180 empresas, em 29 países e fatura cerca de US$ 13 bilhões/ano – foi criada no Japão há cerca de 50 anos. O nome vem das origens da empresa: Kyo (de Kyoto, cidade-sede da companhia) e Cera (de cerâmica fina). O grupo atua nas áreas de semicondutores, componentes de cerâmica fina, energia solar, componentes óticos, utensílios domésticos, implantes ortopédicos e odontológicos, equipamentos de telecomunicações e química fina, entre outros.
Fundado em 1959, apenas em 1971 o grupo entrou no segmento de ferramentas de corte. Apesar de ter a cerâmica em sua origem, Kawamura garante que o forte da empresa na área de ferramentas é a tecnologia em materiais. “Claro que temos expressão na área de cerâmica, mas também somos competitivos em metal duro, cermet, assim como em CBN”, explica, acrescentando que a expertise do grupo em tecnologia de materiais é que permitiu o desenvolvimento do Megacoat,revestimento utilizado na mais recente geração de produtos da Kyocera.