(22/11/2009) – Engenheiro mecânico, há cinco anos na companhia, Kai Wärn, presidente e CEO da Seco Tools, esteve no Brasil na semana passada para conhecer um pouco melhor o mercado brasileiro, considerado estratégico para a corporação. Wärn visitou clientes, reuniu-se com a direção da filial e distribuidores, recebeu detalhes da economia nacional e retornou à Suécia bem-impressionado com o que viu e ouviu. Estava acompanhado de Jean-Paul Ferry, que por 20 anos dirigiu a filial francesa da e hoje é o chairman of board e responsável pelas operações da Seco na América Latina. Em Sorocaba (SP), sede da filial brasileira, Wärn e Ferry receberam o site usinagem-brasil para esta entrevista.
UB – Como o sr. vê hoje o mercado de mundial de ferramentas de corte e quais as perspectivas para 2010?
Kai Wärn – No primeiro semestre de 2009, estimava-se que o mercado global de ferramentas de corte apresentaria decréscimo de 45% ao longo do ano. A Seco Tools registrou até aqui queda de 34-35%, numa situação melhor, portanto, do que outras empresas do setor. Na verdade, é este quarto trimestre que irá definir melhor esses valores. A situação para 2010 ainda é uma incógnita. Espera-se que o mercado mundial continue crescendo gradativamente, mas o quadro ainda está longe da estabilidade. Existe a perspectiva de que os negócios caminhem bem no próximo ano, ainda que não de uma forma muito positiva. Ou seja, espera-se que o cenário seja melhor que o atual, mas é preciso estar preparado também para uma situação adversa.
UB – A impressão que se tem é que os grandes players mundiais do setor de ferramentas de corte deram uma rápida resposta à crise, com várias ações visando a redução de custos. Em setembro de 2008 já era possível saber a dimensão da crise que estava por vir?
Wärn – Não, não havia como dimensionar a crise. Até porque outubro de 2008 ainda foi um bom mês para a Seco Tools, com muitos clientes apresentando bom nível de produção. Já se percebia uma forte pressão e quedas em algumas áreas, mas não era possível entender o que estava acontecendo. Havia um bom nível de produção em algumas áreas, enquanto outras começavam a registrar quedas drásticas. Depois veio o impacto da crise de crédito que claramente afetou todo o setor.
UB – Pelo que se pode constatar hoje a crise foi de maior ou menor proporção do que se chegou a avaliar no final de 2008?
Wärn – Claramente foi muito maior do que se esperava na época, o que se pode constatar hoje pelo nível de produção de vários países. A produção industrial japonesa, por exemplo, voltou aos níveis da década de 80, enquanto Estados Unidos e Europa voltaram aos níveis de meados dos anos 90. Ninguém poderia imaginar isso.
UB – Quais estratégias a Seco Tools adotou para enfrentar esse período difícil?
Wärn – A Seco Tools tem como pilares estar muito próxima de seus clientes, prover soluções para ajudar seus clientes, trabalhar para oferecer produtos inovadores, de alta performance, além de uma rede global de serviços para atender nossos clientes. Esta estratégia se provou ser um sucesso e, por isso, os clientes demonstram satisfação em trabalhar com a Seco. Com a crise, tivemos que adotar algumas estratégias para superar esse momento difícil, mas não havia motivos para mudar a direção estratégica, os pilares da empresa. Tivemos, sim, que adotar medidas para continuar lucrando, pois somente tendo alguma lucratividade seria possível manter esses pilares.
Jean-Paul Ferry – É preciso frisar que não houve redução dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, porque acreditamos muito firmemente em sua importância para a manutenção da performance da empresa. Claro que houve cortes em alguns investimentos, mas aquilo que considerávamos essencial para a manutenção da empresa foi mantido. Inclusive investimos numa nova unidade de produção. Ou seja, houve redução de custos em algumas áreas e em outras não.
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