
(19/07/2026) – A indústria brasileira de moldes e matrizes tem sofrido forte concorrência de produtos importados. Principalmente de fabricantes asiáticos e não só da China, mas também da Coreia do Sul e Singapura, além da Turquia. Concorrência, aliás, que só tem crescido nos últimos anos.
“Dos três setores que compõem o setor apenas um deles, o de moldes para plásticos, está estável”, informa Christian Dihlmann, presidente da Abinfer – Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais e recém-eleito para presidir também a associação internacional do setor, a Istma.
No caso dos outros dois – de moldes para fundição e de conformação metálica (estampos) – a situação é bem mais complicada. “O de moldes para fundição registrou queda de 4,5% no ano passado”, informa Dihlmann. “Já no caso de conformação, os grandes clientes não estão nem mais cotando no Brasil”.
Dihlmann explica que o grande consumidor de moldes no Brasil é o setor automotivo “que continua fazendo peças estruturais no Brasil, mas a “pele” eles estão comprando lá fora”. (Matrizes de “pele” são aquelas voltadas à produção das partes externas dos veículos, como capô e portas).

Segundo Dihlmann, esse segmento tem sido bastante impactado. Em 2025, a produção de moldes para conformados metálicos encolheu 16,7%. “E, para este ano, está se desenhando um desempenho semelhante ou, infelizmente, até um pouco pior”.
O acirramento da concorrência com os fabricantes de países asiáticos, como se sabe, não é exclusividade do setor de ferramentaria. As próprias montadoras de veículos instaladas no Brasil estão enfrentando dificuldades, principalmente com as marcas chinesas.
“As montadoras nacionais estão perdendo mercado frente à importação de veículos chineses, principalmente elétricos. Isso tem incomodado os fabricantes. Basta ver as manifestações da Anfavea”, diz. E destaca: “A prorrogação do benefício de importação de elétricos até o final do ano pelo governo federal foi, praticamente, “a gota d’água”. Isso vai beneficiar ainda mais os chineses em detrimento dos nacionais, prejudicando toda a cadeia produtiva automotiva nacional, incluindo as ferramentarias, além de provocar redução do nível de empregos”.

Segundo o dirigente empresarial, até maio, a expectativa das empresas de moldes e matrizes era de um leve crescimento em 2026, em torno de 5%. “Com as atuais notícias e o comportamento de mercado, principalmente automotivo, passamos a prever uma queda de 10% para 2026”, comenta.
Investimentos – Apesar deste quadro, algumas matrizarias nacionais tem investido em maquinário e novas tecnologias. “Mas esse é um movimento que ocorre basicamente num grupo seleto de empresas (em geral as que têm os pedidos) que estão entendendo que para serem competitivas precisam investir em qualidade e produtividade até para ficarem mais produtivas e competitivas”, explica Dihlmann, lembrando que num universo de cerca de 2 mil ferramentarias brasileiras 80% são pequenas e médias empresas.
“As que estão investindo são aquelas empresas que têm boa saúde financeira. Estão se preparando, buscando maior competitividade, mas não em número expressivo. O ideal seria que todas estivessem em condições de investir e ser mais competitivas”, conclui.