São Paulo, 01 de julho de 2026

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01/07/2026

Indústria de máquinas e equipamentos em desaceleração

(02/07/2026) – Na avaliação da Abimaq, os números do balanço da indústria brasileira de máquinas e equipamentos em maio reforçam a avaliação de que o setor atravessa um “período de desaceleração mais profundo e persistente do que o inicialmente esperado”. A recuperação parcial do consumo aparente em relação a abril não altera o quadro geral de retração dos investimentos em máquinas e enfraquecimento da atividade.

Segundo a entidade, o setor continua condicionado por três fatores centrais:

  • Demanda doméstica deprimida, especialmente nos segmentos agrícola e industrial;
  • Exportações com desempenho positivo, mas insuficiente para compensar a fraqueza interna;
  • Avanço contínuo das importações, particularmente das máquinas chinesas, ampliando a pressão competitiva sobre os fabricantes nacionais.

“Os dados de maio de 2026 mostram que a indústria de máquinas e equipamentos continua operando em um ambiente de forte fragilidade. Embora tenha havido aumento no consumo de máquinas e equipamentos em relação a abril, o desempenho do setor permanece significativamente inferior ao observado há um ano”, informa a entidade.

O consumo aparente atingiu R$ 31,1 bilhões no mês, recuperando parte da queda anterior, mas ainda 19,5% abaixo do registrado em maio de 2025. Com isso, os investimentos em máquinas e equipamentos acumulam retração de 15% ao longo dos cinco primeiros meses do ano.

“O resultado reforça a percepção de que a desaceleração deixou de ser um fenômeno pontual e passou a refletir um ambiente econômico mais adverso para a tomada de decisões de investimento”, avalia a entidade, frisando que o “aspecto mais preocupante é que, mesmo após vários meses de queda, ainda não surgem sinais de retomada consistente da demanda”.

A receita líquida de vendas somou R$ 22,5 bilhões em maio, queda de 1,2% frente a abril e retração de 20,4% na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, a queda chega a 13,9%, enquanto nos últimos doze meses o recuo é de 4,6%.

“Diferentemente do que se observou em ciclos anteriores, a desaceleração não está concentrada em um único segmento ou associada a um choque específico”, destaca a entidade. Ela reflete um enfraquecimento mais amplo dos investimentos produtivos, consequência da combinação entre juros elevados, menor crescimento econômico e aumento da cautela empresarial.

A continuidade das dificuldades nos setores agrícola e da indústria de transformação merece atenção especial. Historicamente, esses segmentos respondem por parcela significativa da demanda por bens de capital. O fato de continuarem apresentando retração sugere que a recuperação do setor pode ser mais lenta do que inicialmente esperado.

Além disso, os dados de receita doméstica mostram que a política monetária restritiva continua produzindo efeitos negativos relevantes. A queda de 17,9% nas vendas internas no acumulado do ano indica que o custo elevado do crédito segue limitando tanto a renovação do parque produtivo quanto a expansão da capacidade instalada das empresas.

Exportações em alta – O desempenho das exportações permanece como um dos poucos vetores positivos para o setor em 2026. No acumulado de janeiro a maio, as vendas externas cresceram 14,7% em dólares e 12,1% em volume, evidenciando que a indústria brasileira ainda encontra espaço em mercados internacionais.

Entretanto, uma análise mais detalhada mostra que esse desempenho deve ser interpretado com cautela. Parte relevante da expansão decorre da base de comparação deprimida observada no início de 2025, quando a desaceleração da atividade industrial norte-americana afetou significativamente a demanda por máquinas brasileiras.

Importações desaceleram – Um dos aspectos mais relevantes dos dados de 2026 continua sendo a evolução das importações. Apesar da desaceleração da economia doméstica, as compras externas seguem ampliando sua participação no mercado brasileiro.

No acumulado de janeiro a maio, as importações recuaram 11% (em Reais), enquanto a demanda doméstica retraiu 17,9%. Como resultado, os equipamentos importados passaram a representar 48,1% do consumo nacional, participação superior à observada em 2025.

Mais uma vez, a China desempenha papel central nessa dinâmica. As importações provenientes do país cresceram, enquanto as originadas dos demais mercados recuaram. O avanço ocorre justamente em segmentos estratégicos para a indústria brasileira, como logística, construção civil, agricultura e indústria de transformação.

Isso indica que a perda de competitividade da produção nacional vai além das condições conjunturais e está cada vez mais associada a fatores estruturais relacionados a custos, escala, financiamento e produtividade.

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