São Paulo, 09 de junho de 2026

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07/03/2026

Setor de máquinas e equipamentos abre 2026 em forte queda

(08/03/2026) – A indústria brasileira de máquinas e equipamentos iniciou 2026 em desaceleração, após encerrar 2025 com crescimento moderado. A receita líquida total somou R$ 17,3 bilhões, com retração de 17% na comparação com janeiro de 2025, puxada pelo recuo tanto nas vendas domésticas (-19%) quanto externas (-10,8%).

O consumo aparente atingiu R$ 26,5 bilhões, com queda interanual próxima de 20%, refletindo ambiente de crédito restritivo e uma economia em desaceleração das atividades produtivas.

No acumulado de 12 meses até janeiro, a receita líquida avançou 4,8%, totalizando R$ 296,9 bilhões, enquanto o consumo aparente cresceu 3,5%.

As importações mantiveram peso relevante no mercado doméstico. Em 12 meses, somaram US$ 31,9 bilhões, com crescimento de 5,6%. O déficit comercial de máquinas e equipamentos permaneceu elevado, acima de US$ 18 bilhões, evidenciando a forte presença de fornecedores externos e maior pressão competitiva sobre a indústria nacional.

Segundo a Abimaq, o tema merece destaque por se tratar de avanço estrutural das importações. Em 2025, as compras externas totalizaram US$ 32,2 bilhões, crescimento de 8,2%, superando o recorde anterior, registrado em 2013. “O dado revela que o país vem transferindo parcela relevante do dinamismo industrial para o exterior”, destaca a entidade.

“A crescente presença da China, responsável por mais de 32% das máquinas importadas pelo Brasil, reflete não apenas competição baseada em escala, mas sobretudo políticas públicas estratégicas, com subsídios baseados em benefícios tributários, acesso a insumos e fatores de produção a custos reduzidos e apoio às exportações, entre outros instrumentos”, avalia a Abimaq. “Esse cenário amplia a necessidade de medidas de curto prazo voltadas ao fortalecimento da competitividade da indústria nacional”.

Impacto do cenário externo – As exportações registraram crescimento interanual em janeiro quando medido em dólares, embora tenham recuado frente ao mês anterior. No acumulado de 12 meses, mantiveram variação positiva. O cenário internacional, contudo, permanece desafiador, marcado por desaceleração global e maior fragmentação comercial.

Para os Estados Unidos, em janeiro, os embarques apresentaram queda em relação a dezembro, mas com crescimento em relação ao mesmo mês de 2025. A expectativa é que com a decisão da Suprema Corte dos EUA, que invalidou parcela relevante das tarifas impostas pelos Governo Trump com base da Lei de emergência, as exportações brasileiras de máquinas e equipamentos voltem a ganhar importância naquele país.

Perspectivas para 2026 – As projeções indicam crescimento de 3,5% na produção física de máquinas e equipamentos e de cerca de 4% na receita líquida em 2026. O avanço deverá ser sustentado principalmente pelo mercado doméstico, com expectativa de expansão da demanda próxima de 5,6%, apoiada por projetos já contratados em infraestrutura e pela continuidade dos investimentos nas atividades extrativistas. Por outro lado, os investimentos em setores mais dependentes de crédito, como a indústria de transformação, tendem a permanecer pressionados pela política monetária contracionista e pelo elevado nível de endividamento de empresas e famílias.

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