
(22/02/2026) – O setor de mineração deve investir R$ 407 bilhões (US$ 76,9 bilhões) no Brasil entre 2026 e 2030, segundo estimativas divulgadas pelo Ibram – Instituto Brasileiro de Mineração. Este montante representa expansão de 12,5% em relação à estimativa anterior, para o período 2025-2029, que era de R$ 362 bilhões (US$ 68,4 bilhões).
O segmento de minério de Ferro lidera as intenções de investimento, com R$ 104 bilhões (US$ 19,8 bilhões), 1,1% acima da do período anterior. Porém, o Ibram ressalta que houve um crescimento de 15,2% nas projeções de investimentos em projetos de minerais críticos e estratégicos.
Os maiores aumentos são para o Zinco, com alta de 981,9% sobre o período anterior, somando R$ 2 bilhões (US$ 382 milhões), seguido de Fertilizantes, com alta de 23,3%; Cobre, de 18%; Terras Raras, de 10,4%; e Titânio e Lítio, com 7,1%. Destaque também para os investimentos em Logística, que totalizam R$ 60 bilhões (US$ 11,3 bilhões), 3,4% acima da estimativa anterior.
“O Brasil vive um novo ciclo de expansão mineral que vai muito além da extração de recursos naturais e que está redesenhando o mapa da indústria nacional”, informam Rodrigo Cesar Franceschini Oliveira, coordenador-geral do Conselho de Metalurgia e Mineração da Abimaq, e Vinicius Souto, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para Cimento e Mineração – CSCM, em artigo publicado no site da Abimaq.

De acordo com eles, esse movimento reforça a importância estratégica da mineração para a balança comercial e geração de empregos, além de criar uma onda de oportunidades para a indústria de máquinas e equipamentos. “À medida que novas minas são abertas e plantas industriais se modernizam, cresce a demanda por tecnologias avançadas, automação, engenharia dedicada e soluções sustentáveis”, observaram.
“Hoje, a atividade mineral vai muito além da extração: ela integra processos de beneficiamento inteligente, logística automatizada, sensoriamento remoto, manutenção preditiva e gestão digital de ativos”, destacaram. “Nesse cenário, a indústria de máquinas e equipamentos assume um papel central como vetor de inovação e produtividade trazendo também mais segurança para os trabalhadores e todo o processo”.
Soluções como equipamentos autônomos, sistemas de monitoramento em tempo real, plataformas de IoT industrial, inteligência artificial aplicada à operação de mina e tecnologias de baixo impacto ambiental estão se tornando indispensáveis para atender às exigências de eficiência, segurança e sustentabilidade.
Para os fabricantes e fornecedores desse setor, trata-se de uma oportunidade estratégica: desenvolver e entregar soluções que não apenas acompanhem, mas antecipem as demandas da mineração 4.0. Desde escavadeiras inteligentes até sistemas de automação para plantas de beneficiamento, passando por componentes de engenharia avançada. Conforme os autores do artigo, “o mercado está aberto à inovação”.

Principais investimentos em mineração anunciados para o Brasil
Vale (minério de ferro, cobre e níquel)
- R$ 67 bilhões em Minas Gerais até 2030, com foco em descarbonização e segurança operacional.
- R$ 70 bilhões no plano Novo Carajás (PA), entre 2025 e 2030, para expansão de produção.
- R$ 20 bilhões voltados aos projetos Serra Sul, Capanema e Tubarão.
- Expansão da produção de níquel com novo forno na mina Onça Puma (PA).
CSN Mineração (minério de ferro)
- Investimentos entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões até 2027.
- Projeto P15 (Casa de Pedra – MG), com acréscimo de 15 Mt/ano de minério de ferro.
- Melhoria do teor do minério, de 58% para 65% até 2028.
Nexa Resources (zinco)
- Capex de R$ 1.8 biilhão, 25% maior que 2024.
- Expansão da filtragem de rejeitos em Aripuanã (MT) e empilhamento a seco em Três Marias (MG).
- R$ 371 milhões destinados à exploração mineral.
Anglo American (minério de ferro)
- R$ 1,6 bilhão para aumentar eficiência no complexo Minas-Rio (MG).
- Venda de ativos de níquel à MMG por R$ 2.600 bilhões.
Equinox Gold Corp. (ouro)
- Capex de R$ 2,2 bilhões, sendo R$ 750 milhões destinados ao Brasil.
- Expansões em Aurizona (MA), Complexo Bahia e RDM (MG).
Aura Minerals Inc. (ouro)
- Capex entre R$ 790 milhões e R$ 885 milhões.
- Avanço dos projetos Borborema (RN) e Apoena Fase III (MS).
Itaminas (minério de ferro)
- R$ 1,5 bilhão até 2033, incluindo terminal logístico em Sarzedo (MG) voltado à descarbonização e eficiência produtiva.
Esses projetos reforçam o protagonismo do Brasil na economia mineral global e abrem espaço para fornecedores que entregam inovação, sustentabilidade e alta performance em máquinas e equipamentos para mineração.
Cada nova mina, ampliação de planta ou projeto de beneficiamento cria uma cadeia de necessidades que vai muito além da extração mineral. Para fabricantes e fornecedores da indústria, é o momento ideal para se posicionar.
As principais oportunidades estão em:
- Equipamentos de grande porte: escavadeiras, britadores, correias transportadoras e sistemas de perfuração mais eficientes.
- Automação e digitalização: sensores inteligentes, softwares de monitoramento remoto e soluções de IoT aplicadas à operação e manutenção.
- Gestão sustentável: tecnologias voltadas à redução de emissões, reaproveitamento de água e manejo de rejeitos.
- Infraestrutura e transporte: máquinas para portos, ferrovias, terminais e logística interna das mineradoras.
- Com inovação, eficiência e parcerias certas, os fornecedores podem transformar esses investimentos em novos negócios e relacionamentos duradouros com o setor mineral.