São Paulo, 02 de fevereiro de 2026

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31/01/2026

Preço do tungstênio dispara e terá forte impacto no metal duro

(01/02/2026) – No início de 2025, a China impôs limitações às exportações e à mineração de tungstênio (e outros 24 metais raros). A medida teve como um de seus principais reflexos aumentos constantes do preço da matéria prima do metal duro que, ao final do ano, simplesmente disparou. De janeiro a dezembro do ano passado, o preço subiu mais de 200% nos mercados internacionais.

As restrições impostas pelo governo de Pequim provocaram queda de 42% nas exportações de tungstênio, promovendo a escassez do produto no mercado internacional.

Agora, em janeiro, os preços deram um novo salto e – no acumulado de 12 meses – o aumento já chega a 279%. Tanto para o concentrado de tungstênio quanto para o APT (paratungstato de amônio), os dois componentes básicos do metal duro. (Aliás, outro dos componentes principais do metal duro, o cobalto, também vem apresentando aumentos constantes).

Segundo uma publicação especializada no mercado de metais, “a situação chegou a um ponto crítico em 6 de janeiro de 2026, quando o Ministério do Comércio da China publicou uma nova versão das regras ‘2026 Catalogue of Dual-Use Items and Technologies’. Essa política tem como foco explícito os óxidos e carbonetos de tungstênio, proibindo exportações para diversos países – em especial o Japão – para qualquer uso final considerado como aprimoramento das capacidades militares“.

Muito além das ferramentas de corte – Até por isso, especialistas afirmam que a grande questão por trás das medidas impostas pela China estão as múltiplas aplicações do tungstênio, que vão muito além das ferramentas de corte.

Metal escasso – a China é responsável por 83% da produção mundial e detém 50% das reservas mundiais –, o tungstênio é um material estratégico e crítico para vários segmentos industriais, como os de defesa, aeroespecial, automotivo, petróleo, eletroeletrônico, entre outros.

Uma fonte ouvida pelo site Usinagem-Brasil informa que os aumentos mais recentes também estão ligados à forte demanda deste início do ano, provocada por pedidos antecipados devido ao feriado de Ano Novo na China – que ocorrerá este ano em meados de fevereiro, período em que as atividades industriais na China ficam praticamente paralisadas por mais de duas semanas.

Aumento ainda não chegou às ferramentas de corte

Apesar da forte escalada dos preços da matéria prima, os aumentos ainda não chegaram às ferramentas de corte. Mas chegarão nos próximos meses. “Até aqui a maioria dos fabricantes não repassou os custos, mas essa situação deve mudar rapidamente”, avalia Ivan Rohrer, gerente de Vendas da Ceratizit Brasil para a linha de cilindros de metal duro e peças de desgaste.

Na verdade, diz o gerente, os preços já começaram a aumentar. Se não nos insertos, já chegaram às ferramentas rotativas. Isso se explica pelo fato de os insertos terem em sua composição, dependendo da classe, entre 70 e 75% de tungstênio. Já as rotativas integrais, assim como os cilindros de metal duro, têm mais de 90% de tungstênio, além de exigirem muito mais volume de material para a sua produção.

“Nossa matriz, neste momento, assim como acredito que as de todos os fabricantes de ferramentas do mundo, estão debruçadas sobre este tema, buscando definir estratégias, alternativas… Estamos no aguardo de um posicionamento de nossa matriz”, diz o diretor de uma multinacional do setor.

Outra fonte ouvida pelo Usinagem-Brasil considera que está é uma situação sem volta. “Os preços não voltarão mais ao patamar que tinham em janeiro de 2025”, avalia. “Embora o quadro atual tenha muitas características de problema geopolítico, a verdade é que o governo chinês entende que se trata de um material estratégico, do qual eles respondem por mais de 80% da produção, embora tenha apenas 50% das reservas. Ou seja, supõem que os outros países estão “reservando” suas reservas”.

Há quem diga, porém, que – assim como no caso das terras raras – os chineses avançaram tanto na mineração, extração, beneficiamento e refino do tungstênio que atualmente é quase impossível concorrer com a indústria chinesa.

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