
(25/01/2026) – A indústria automotiva brasileira fechou 2025 com vendas em alta pelo terceiro ano consecutivo, mesmo com os sinais de desaceleração da economia no segundo semestre, devido principalmente à alta taxa de juros.
Os emplacamentos subiram 2,1% na comparação com 2024, com a produção também mostrando resultado positivo – uma expansão de 3,5% frente ao ano anterior, com 2,644 milhões de veículos produzidos.
Já o segmento de caminhões foi bastante afetado pela taxa de juros elevada, registrando queda de 9,2%.
No caso dos modelos pesados, voltados majoritariamente para o transporte de longas distâncias, a retração foi ainda mais acentuada, de 20,5% ante 2024.
Segundo Igor Calvet, presidente da Anfavea – Associação Brasileira dos Fabricantes de Veículos Automotores, o bom desempenho de emplacamentos em dezembro, com muitas promoções de queima de estoque, foi importante para o bom resultado do ano.
“Faltaram apenas 100 mil unidades para que se atingisse o total de emplacamentos observado em 2019, o que levaria as vendas ao patamar pré-pandemia”, observa Calvet.
As exportações tiveram alta de 32,1%, totalizando 528,8 mil unidades. A entrada de veículos estrangeiros subiu 6,6%.
O crescimento das importações foi puxado pela entrada de veículos fabricados em países sem acordo de livre comércio com o Brasil, especialmente a China.
O país asiático representou 37,6% dos 498 mil importados emplacados no Brasil em 2025.
Assim, pela primeira vez, Mercosul e México não lideraram a lista, com países fora desses tradicionais parceiros representando 50,2% dos importados vendidos.
A Anfavea projeta para 2026 um novo período de expansão, ainda que o crescimento deva ser mais discreto devido ao cenário mais desafiador à frente.
Para este novo ano, a expectativa da entidade é de crescimento de 3,7% no volume de produção, o que representará 2,741 milhões de unidades.
“Essa alta deverá ser concentrada em veículos leves, com expansão de 3,8%”, diz Calvet. “Para caminhões e ônibus, a previsão é de uma produção de 154 mil unidades, 1,4% acima dos 152 mil fabricados em 2025”.
Quanto às exportações, Calvet espera uma ligeira alta de 1,3%, com 536 mil unidades, ainda calcada no bom desempenho do mercado argentino.