
(25/01/2026) – Embora se manifeste favorável ao recém assinado acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, a Abimaq – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos vê com cautela o papel que a indústria brasileira desempenhará nesta aliança.
No caso da indústria de transformação, cuja estrutura europeia é mais competitiva do que a do Mercosul, a Abimaq destaca que a simples assinatura do acordo não garante o aumento das exportações brasileiras de bens manufaturados.
Para a entidade, sem ganhos efetivos de competitividade, existe o risco de aumento do saldo negativo da balança comercial de manufaturados entre o Brasil e a UE.
Se a balança comercial total entre o Brasil e a União Europeia é neutra, próximo de zero, a balança comercial de manufaturados é altamente negativa ao Brasil, superando os US$ 25 bilhões de déficit anual.
“A Abimaq reconhece a importância do acordo como instrumento para ampliar o acesso a mercados, integrar o Brasil às cadeias globais e criar oportunidades para o país e para o setor de máquinas e equipamentos”, afirma a entidade em nota. “O acordo é uma grande oportunidade para os produtores de bens e serviços brasileiros atingirem um universo de aproximadamente 720 milhões de consumidores e US$ 22 trilhões de PIB”.
No entanto, a Abimaq afirma que a observância das regras deve assumir papel central para assegurar que os benefícios do acordo sejam direcionados às indústrias efetivamente instaladas nos países do Mercosul e da UE.
Tempo para isto haveria. Para a associação, os prazos de desgravação, isto é, para a redução progressiva das tarifas de importação, é longo o suficiente para a adoção no Brasil de medidas consistentes.
O prazo para máquinas e equipamentos varia entre 10 e 15 anos, e os vários prazos para os outros setores da indústria deviam ser compreendidos como uma janela estratégica para a implementação de reformas estruturais.
Esse período ofereceria ao Brasil a oportunidade de mitigar os fatores que aumentam o custo de produção no país: implementar reformas, buscar o equilíbrio macroeconômico, diminuir a carga tributária, melhorar o ambiente jurídico e regulatório, criar condições para a redução estrutural das taxas de juros e fortalecer a competitividade da indústria.
A Abimaq defende que a abertura comercial deve caminhar de forma equilibrada com uma agenda consistente de reformas internas e de competitividade, com o aprimoramento do ambiente econômico para atrair investimentos, elevar a produtividade, gerar empregos de qualidade e permitir que o país deixasse de ser apenas fornecedor de produtos primários, avançando na agregação de valor e no fortalecimento de sua base industrial.
Tendo em vista que seus efeitos serão percebidos a médio e longo prazo, a entidade reforça que o Acordo Mercosul–UE representa uma grande oportunidade, mas seu sucesso dependerá diretamente da capacidade do Brasil de realizar mudanças internas.