(15/04/2012) – Durante a Automec Pesados, realizada na semana passada em São Paulo, foi possível notar razoável consenso entre os fabricantes de autopeças no que se refere ao novo regime automotivo, lançado pelo governo no início de abril. Ou seja, para as indústrias do setor que sofre com crescentes déficits comerciais, as medidas são positivas, irão beneficiar o setor, mas não atacam o problema principal que é a falta de competitividade da indústria brasileira.
É o que afirmou Paulo Butori, presidente Sindipeças. Durante a abertura do evento, que contou com a presença de ministro da Fazenda, Guido Mantega, Butori parabenizou o Governo Federal pelas medidas de incentivo à indústria automobilística. Porém, chamou a atenção para a necessidade de se melhorar a competitividade, diminuindo o Custo Brasil, revertendo câmbio desfavorável à exportação e melhorando a capacidade competitiva frente a outros países.
“É inegável que a desoneração da mão-de-obra trará benefícios à indústria. O pacote é bom, mas é muito tímido”, afirmou Ricardo Dantas, diretor de Vendas e Marketing – Veículos da Eaton. Em sua opinião, o governo não atacou o cerne da questão que é a alta carga tributária do País. “Temos de resolver os problemas estruturais para sermos competitivos”.
“O governo está atuando no efeito e não na causa”, disse José Manoel Fernandes, diretor de Vendas e Marketing da Meritor. Segundo Fernandes, na conjuntura atual – com real valorizado, alta carga tributária, custo de mão-de-obra e insumos – a filial brasileira perdeu competitividade inclusive dentro do próprio grupo, o que reduziu seu volume de exportações. “O pacote vai nos ajudar a sermos mais competitivos, mas se a gente não fizer a lição de casa intramuros não vai adiantar”, disse, frisando que a empresa prepara investimentos para atualizar as linhas de produção.