(04/03/2012) – “Cansamos de contratar a FGV para realizar estudos que demonstram a desindustrialização do País e levá-los ao governo. Agora, vamos para a rua”, disse Luiz Aubert, presidente da Abimaq, para explicar o movimento que reúne empresários nacionais e centrais sindicais e que pretende fazer uma série de manifestações pelo País.
“Trata-se um movimento único e histórico”, afirma o dirigente empresarial, ao lembrar que o manifesto “Grito de Alerta em Defesa da Produção e do Emprego Brasileiros” é assinado por várias entidades, como Fiesp, Sinafer, Abimaq, Abiquim, Simefre, Abinee, Abipeças, Fiep, Fiemg, entre outras, e várias centrais sindicais e sindicatos de trabalhadores, “de todas as tendências”, como frisa Aubert.
A primeira manifestação está prevista para o próximo dia 22 de março, no Porto de Itajaí, em Santa Catarina. No dia 29 de março, a manifestação será no Rio Grande do Sul e no dia 4 de abril, em São Paulo.
Segundo o texto do manifesto, “a estagnação da indústria de transformação em 2011 é algo extremamente grave e preocupante. Por esse motivo, entidades patronais e de trabalhadores se unem para ressaltar que apesar do forte crescimento do consumo, o stor industrial reduziu drasticamente a geração de empregos, agudizando ainda mais o processo de desindustrialização no Brasil”
“Juros altos, câmbio valorizado, guerra fiscal favorecendo as importações, entre outros fatores, incentivam artificialmente a entrada de produtos importados, fazendo com que a indústria pouco contribuísse para o crescimento do PIB em 2011. Como consequência o crescimento total da economia deverá ficar abaixo de 3%, após crescimento de 7,5% em 2010. Esses dados revelam o descompasso entre as ações promovidas pelo governo e a realidade da indústria que demanda medidas emergenciais e efetivas”.
Ainda segundo texto do manifesto, “a industrialização não se iniciou nos últimos anos, mas vem se intensificando desde 2008. Em 1985, a indústria de transformação representou 27% do PIB, em 2011 deve ter chegado a menos de 16%”.