(28/08/2011) – Não faz muito tempo, o número de montadoras de automóveis instaladas no Brasil podia ser contado nos dedos de uma mão. Os fabricantes eram de origem norte-americana, alemã ou italiana. Nos últimos anos, vieram os japoneses, os franceses e agora estão chegando os sul-coreanos e os chineses, além de novos europeus e japoneses.
Em 2005, foram produzidos no País 1,93 milhão de automóveis no País (1,32 vendidos no mercado interno e 606 mil exportados). Em 2010, a produção saltou para 3,64 milhões (com o mercado interno consumindo 3,51 milhões, incluindo 660 mil importados). De 2000 a 2010, o Brasil saltou de 12º produtor mundial para a 6ª posição.
Estudo recente da Fundação Vanzolini, “Competitividade e Futuro da Indústria Automobilísticachr38rdquo;, estima que em 2025 o mercado brasileiro chegará a 6,2 milhões de veículos leves. Os autores do estudo se perguntam se as fábricas brasileiras estarão capacitadas para atender esta demanda ou se a importados irão ampliar a participação, que hoje já conquistaram significativos 20% do mercado.
Estima-se que a capacidade produtiva atual de automóveis e comerciais leves no Brasil seja um pouco superior a 4 milhões de unidades/ano, mas as principais montadoras instaladas no País estão em processo de ampliação. A Volkswagen pretende atingir cerca 1 milhão de veículos até 2014. A Fiat, com a nova fábrica de Pernambuco, deve chegar a 1.050 milhão. GM e Ford também estão expandindo suas fábricas nacionais. A nova fábrica da Toyota, em Sorocaba, que entra em operação em 2012, terá capacidade inicial de 70 mil veículos.
Por outro lado, várias novas marcas estão prestes a instalar fábricas no País. Um exemplo é a Hyundai (que tem alguns de seus produtos fabricados pela CAOA em Goiás) que está investindo R$ 1 bilhão em Piracicaba para produzir 150 mil veículos/ano. A chinesa Chery destinará R$ 700 milhões para instalar unidade no Jacareí com capacidade para 70 mil unidades/ano. A também chinesa JAC Motors anunciou que vai investir U$ 600 milhões para produzir 100 mil unidades/ano. Já a japonesa Suzuki irá montar fábrica com capacidade para 7 mil unidades em Itumbiara, em Goiás. A Lifan, da China, em parceria com a Effa Motors, pretende instalar linha de montagem com capacidade de 10 mil unidades/ano – os veículos serão importados em CKD.
Mas existem outras fábricas em estudo. É o caso da Nissan – que hoje compartilha a linha de produção com a Renault, no Paraná – que anunciou a intenção de ter fábrica própria no País. Na última semana, segundo a imprensa nacional, a empresa retomou as conversas com o empresário Eike Batista visando à instalação de uma fábrica em parceria com o grupo EBX.
O próprio Eike Batista divulgou planos no ano passado de montar fábrica de veículos elétricos no Rio de Janeiro, com capacidade para produzir 100 mil unidades/ano, a partir de 2014. O investimento previsto é de R$ 1 bilhão.
Segundo notícias publicadas nos últimos meses, a BMW – que estaria em dúvida entre instalar fábrica no Brasil ou no México – já teria se definido pelo Brasil. Por essas informações, até novembro a montadora alemã irá definir em que Estado instalará a fábrica, que deve operar em regime de SKD.
Já o projeto da Kia Motors, que chegou a anunciar a compra de terreno em Salto (SP), parece ter sido engavetado.
Em 2010, o Brasil contava com as seguintes fábricas: Fiat, Ford, General Motors, Honda, Volkswagen, Peugeot Citroen, Toyota, Renault, Hyundai (produção sob licença pelo grupo CAOA), Mahindra (produção sob licença pelo grupo Bramont), Mitsubishi (produção sob licença pela empresa MMC) e TAC Motors. Em 2015, essas 12 montadoras poderão ter a companhia de outras 8.
O País também está prestes a ganhar duas novas montadoras de caminhões: a NC2 – joint venture entre Navistar e Caterpillar – e da norte-americana DAF/Paccar. No Brasil hoje são produzidos caminhões pela Agrale, Mercedes Benz, Iveco, Scania, Volvo, MAN/Volkswagen, Ford, além do HR da Hyundai/CAOA.
