(07/08/2011) – Entre as medidas previstas no Plano Brasil Maior, lançado pelo governo na semana passada, uma delas pode afetar positivamente o mercado de máquinas e ferramentas, entre outros produtos: a criação do regime tributário especial para a indústria automotiva.
Este novo regime tributário ainda aguarda regulamentação, mas entre as contrapartidas previstas pelo governo está o aumento do conteúdo local de partes, peças e componentes de veículos. Ou seja, só poderão se beneficiar da redução de impostos as montadoras que equiparem seus veículos com determinada porcentagem (60% de componentes nacionais, segundo disse o ministro Guido Mantega) de autopeças nacionais.
Se adotada, a medida deve contribuir para aumentar a produção local de autopeças, setor que costumava responder por grande parte do consumo de máquinas e ferramentas no País. Vale lembrar que a retomada da indústria automotiva nacional após a crise de 2008 não teve os esperados reflexos no consumo de ferramentas de corte, por exemplo. Isso porque as montadoras passaram a buscar no Exterior, em ritmo crescente, autopeças a menor custo. Isso num primeiro momento. Posteriormente, visando aumentar a competitividade, as próprias autopeças também passaram a trazer peças e componentes de suas matrizes e filiais no exterior. Segundo estudo da Anfavea, os custos da cadeia automotiva no Brasil chegam a ser 60% maiores do que em outros países (caso da China).
Para o empresário do setor de autopeças Paulo Tigre, o Plano Brasil Maior indica que o governo está preocupado com o desenvolvimento da indústria. “O governo praticamente assumiu a de defesa dos nossos interesses nas áreas de importação e de exportação.” Já presidente do Sindipeças, Paulo Butori, prefere esperar: “Vamos aguardar a regulamentação do regime tributário especial para a indústria automotiva, que está sendo elaborado”.
DÉFICIT EM AUTOPEÇAS – Segundo o Sindipeças, no primeiro semestre de 2011, a balança comercial do setor registrou déficit de US$ 2,2 bilhões, com alta de 20% sobre o primeiro semestre de 2010. As exportações somaram US$ 5,2 bilhões (alta de 22,3%), enquanto as importações cresceram 21,6% no período, chegando a US$ 7,5 bilhões. “Somos reféns da valorização do real sobre o dólar e nosso mercado está escancarado”, disse Butori, dias antes do lançamento do plano do governo.