São Paulo, 21 de maio de 2022

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19/02/2022

Canadá atrai profissionais de usinagem do Brasil

(20/02/2022) – Um número crescente de profissionais de usinagem, como operadores de máquinas, programadores CNC e engenheiros mecânicos, tem imigrado para o Canadá para trabalhar em empresas da província de Québec. Esse movimento, em grande parte, é resultado das missões de recrutamento que a agência de desenvolvimento econômico local, a Québec International, vem realizando nos últimos anos no Brasil e em outros países da América Latina.

As boas condições de trabalho, salários e equipamentos modernos estão entre os principais fatores de atração. A agência não dispõe do número de brasileiros trabalhando neste momento com usinagem em Québec, mas informa que nas mais recentes missões cerca de 15% dos contratados eram do Brasil. Vale dizer que entre os recrutados também estão profissionais de soldagem e TI.

Um exemplo é a Megatech, atelier d’usinage (ou jobshop), como são chamadas por lá as empresas prestadoras de serviços de usinagem. Dos cerca de 65 funcionários,12 são brasileiros, quase 20% do total. Fundada em 1992, é especializada em usinagem de precisão e prototipagem para os setores aeronáutico, aeroespacial, militar, de produtos médicos, óticos, entre outros.

MANUFATURA FORTE – Quebec tem no setor industrial um dos pilares de sua economia. Em Montreal, por exemplo, está a sede da Bombardier. Mas a província também é se destaca nos setores químico, petroquímico, papel, metalurgia, mineração, telecomunicações, alimentício, entre outras. “O setor manufatureiro aqui é muito forte”, diz Casio Wilen Gonçalves, que se transferiu com a mulher e as duas filhas para o Canadá em 2017. Ele lembra que, além da indústria local, a Megatech também atende clientes dos EUA e da Europa.

Natural de Taubaté, no interior de São Paulo, Gonçalves é engenheiro mecânico e por 12 anos trabalhou em algumas empresas no Brasil, como a CIE Autometal, Graúna Aerospace e Onesubsea (ex-Cooper Cameron), todas no Vale do Paraíba, como operador, programador CNC e engenheiro de manufatura. Na Megatech, onde chegou como operador e programador CNC, hoje ocupa o cargo de orçamentista, sendo também responsável por Métodos e Processos.

Gonçalves conta que no Canadá existe grande carência de técnicos, daí a necessidade de recrutar imigrantes. Em sua avaliação, isso se deve ao fato de a formação técnica não ser tão valorizada lá como no Brasil (e também ao fato de não contar com uma instituição como o Senai). A formação acadêmica é mais reconhecida. Seu caso, por exemplo, formado em engenharia mecânica com pós-graduação em gestão industrial, iniciou sua formação no Senai Felix Guisard, de Taubaté.

“A impressão que eu tenho é que as empresas de usinagem daqui gostam muito dos brasileiros”, afirma Gonçalves. “Primeiro, porque a gente trabalha para caramba. O brasileiro sempre anda uma milha extra”, diz, lembrando que chegou à Megatech junto com outros seis brasileiros. Quatro continuam na empresa e outros três se transferiram para outras companhias de Québec, atraídos por melhores salários e/ou posições.

NÓS SOMOS CRIATIVOS – Rafael Augusto de Carvalho, de Piracicaba (SP) e que também trabalha na Megatech, concorda: “A empresa gosta muito dos brasileiros”. E justifica: “nós somos criativos, pensamos rápido, não caímos diante de um bom desafio e temos recursos técnicos para poder achar soluções, além de nos adaptarmos facilmente a condições diferentes”.

Carvalho está no Canadá desde 2019. A partir da indicação de um amigo, ele se inscreveu no processo de recrutamento da Québec International para uma vaga de Machiniste CNC. Hoje ocupa o cargo de Chef d’Equipe da seção de Multitarefas. Imigrou com a esposa e a filha – sua segunda filha é nascida no Canadá.

Formado pelo Senai (curso de Mecânico de Usinagem, na escola Mário Dedini, de Piracicaba), em 2004, Carvalho diz que sua carreira começou a deslanchar após um curso de programação CAD/CAM. Ele conta que uma das coisas mais gratificantes que já lhe ocorreu profissionalmente foi o seu retorno ao Senai, oito anos mais tarde, desta vez como professor de programação. Também é formado em Engenharia Mecânica pela Escola de Engenharia de Piracicaba – EEP. No Brasil trabalhou nas empresas CNC Mold (hoje TopRio Ferramentaria), na Indústria Mecânica São Carlos e na Novaer Craft, na primeira como operador e programador e nas duas últimas como analista de processo.

De acordo com Carvalho, entre as coisas que mais impressionam os brasileiros que chegam às empresas de Québec é a infraestrutura tecnológica. “A tecnologia existente aqui é admirável. As máquinas são de extrema precisão. Têm máquinas de 3, 4 e 5 eixos; multitarefas com 2 spindles e 2 torres. A precisão e a repetibilidade são absurdas”, comenta. “Eu jamais trabalhei com máquinas assim no Brasil”, frisa.

Gonçalves acrescenta que, embora de pequeno e médio portes, os atelier d’usinagem de Québec são muito bem equipados. “É comum encontrar nas empresas aqui equipamentos de ponta, como máquinas de cinco eixos totalmente equipadas, máquinas com ferramenta acionada e softwares de última geração”. Para ele, esta é uma das vantagens de estar ao lado dos EUA, pois se tem acesso rápido aos mais recentes recursos tecnológicos e a um custo mais acessível.

A carga horária também é, no mínimo, interessante. No caso da Megatech, por exemplo, que opera 24h, 7 dias por semana, é de 40 horas semanais. Os turnos são divididos em dois grupos: o dos que trabalham durante a semana (de segunda a quinta) e o dos finais de semana (de sexta a domingo). “Quem trabalha na semana, trabalha 4 dias para completar as 40 h e os de final de semana fazem as 40 horas em apenas 3 dias”, informa Carvalho.

ADAPTAÇÃO – Carvalho e Gonçalves contam que, após um período inicial, o processo de adaptação ao Canadá foi tranquilo, inclusive no que se refere ao clima. Segundo eles, em geral, a sociedade de Québec é bastante receptiva aos imigrantes, até por entender que eles lá estão para contribuir e não para “roubar” empregos. Ao mesmo tempo, os imigrantes brasileiros costumam ser muitos solidários, em especial com aqueles que estão chegando.

“Minha adaptação na empresa não foi tão difícil como eu esperava, pois já havia brasileiros trabalhando nela. Isso me ajudou muito no começo para entender como tudo funcionava aqui. Ter pessoas que falavam meu idioma facilitou muito”, comenta Carvalho. Em paralelo, se inscreveu num curso de francês e de cultura francesa oferecido pelo governo canadense. Para encerrar, faz um comentário interessante pela graduação: “A cultura aqui é diferente. O clima aqui é bem diferente e a condição de vida aqui é muito diferente”.

Já Gonçalves manda um recado aos interessados em imigrar para o Canadá – uma nova missão de recrutamento está prestes a ser lançada no Brasil e na América Latina. “Imigrar para o Canadá é um oportunidade, mas é também uma decisão de vida e, portanto, deve ser encarada com muita seriedade. Não deve ser um ato intempestivo… Mas é uma boa opção de vida”.

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