
(06/02/2022) – A indústria automobilística brasileira iniciou o ano de 2022 com o freio de mão puxado. A produção foi de apenas 145,4 mil unidades, resultado 27,4% inferior ao do mesmo mês de 2021, enquanto as vendas (126,5 mil) caíram 26,1% no mesmo tipo de comparação.
Um conjunto de fatores provocou a queda na produção, segundo a Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. A entidade lembra que, historicamente, o primeiro bimestre costuma apresentar as piores médias de vendas de veículos no ano, por conta de férias, feriados e o natural desaquecimento após a alta que geralmente ocorre em dezembro. “Porém, este janeiro foi especialmente complicado para o setor automotivo”, informou a entidade.
A diferença neste ano foi uma mistura da já conhecida escassez de componentes eletrônicos com os impactos da variante ômicron sobre a força de trabalho. Segundo a entidade, suas associadas reportaram índices sem precedentes de absenteísmo, por conta de afastamentos de funcionários por covid-19 ou por suspeita da infecção. (Outros países afetados pela variante ômicron tiveram quedas parecidas com a registrada no Brasil, próximas de 20%).
“Foi um mês de recorde nas infecções por covid-19 no país e de chuvas acima da média para o período, o que afetou a produção dos fornecedores e dos fabricantes de veículos, e ainda afastou clientes das concessionárias”, destacou Luiz Carlos de Moraes, presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.
EXPORTAÇÕES EM ALTA – As exportações foram menos prejudicadas por essas atribulações excepcionais do mês de janeiro. Ao todo, 27,6 mil unidades foram embarcadas, o que representou crescimento de 6,6% em relação a janeiro de 2021. Estoques e nível de emprego mantiveram patamares muito semelhantes aos de dezembro.
Apesar deste janeiro frustrante, Moraes aposta numa boa reação do mercado ao longo do ano. “Os problemas causados pela ômicron deverão ser amenizados nos próximos dois meses, permitindo um quadro mais próximo da normalidade em todas as atividades. Além disso, ainda não teremos todos os semicondutores que precisamos este ano, mas o nível de escassez será menor que em 2021”.
O executivo lembrou que o único sinal de alerta para o setor está na alta da taxa de juros, acima do que era esperado. “Isso pode desaquecer o mercado, caso não haja contrapartidas que tragam algum alívio para o orçamento dos consumidores”, concluiu.