(12/12/2010) – Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o Brasil já tem assegurado uma expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de pelo menos 7,5% em 2010. O comentário foi feito com base nos números divulgados pelo IBGE na semana passada, indicando que o PIB cresceu 0,5% no terceiro trimestre de 2010, em relação ao trimestre anterior. Em comparação aos três primeiros trimestres de 2009, porém, o PIB cresceu 8,4% e no acumulado dos últimos 12 meses chegou a 7,5%.
“Com o resultado do PIB do terceiro trimestre já está assegurado que vamos fechar o ano com um PIB de pelo menos 7,5%. A tendência é que seja mais que 7,5%. Em relação aos primeiros três trimestres, de 8,4%, é um crescimento expressivo”, disse Mantega.
Para o próximo ano, o ministro prevê uma pequena desaceleração da atividade econômica e o crescimento deverá ficar próximo a 5%. De acordo com o ministro, 5% de crescimento é bom para o país e mantém uma oferta de empregos razoável, com um nível de investimento elevado para depois alcançar um ciclo de crescimento acima dessa patamar até 2014.
ENTIDADES EMPRESARIAIS – Em comunicados oficiais, entidades como CNI, Fiesp e IEDI parecem não compartilhar o mesmo tom de otimismo do ministro, alertando para o risco de desaceleração da atividade econômica, que já afeta o setor industrial.
A CNI considerou tímida a evolução de 0,5% do PIB no terceiro trimestre. “Nossa expectativa era de um crescimento acima disso”, disse Robson Braga de Andrade, presidente da entidade. “O ritmo de expansão da economia no terceiro trimestre foi inferior ao dos dois trimestres anteriores, o que confirma o processo de desaceleração da atividade”.
Na avaliação do presidente da CNI, a queda de 1,3% do PIB industrial, em relação ao trimestre abril-junho, foi provocada pelo aumento da presença de produtos importados no país. Principalmente manufaturados e bens de consumo duráveis, que entram no Brasil “com preços mais competitivos do que os dos nossos produtos”. Para Andrade, a queda no PIB industrial é um alerta para a necessidade de o país adotar medidas de curto prazo nas áreas de câmbio e crédito, além de reduzir a carga tributária.
A nota divulgada pela Fiesp observa que “essa queda no desempenho industrial é incompatível com o crescimento da demanda, que apresentou evolução de 1,6% no consumo das famílias e 3,9% em investimentos”. Na opinião do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, parte da culpa do mau desempenho da indústria deve ser creditada ao real valorizado. “O crescimento da demanda vem sendo atendido pelos importados. Isso é um efeito claro da taxa de câmbio valorizada, que barateia artificialmente o produto importado, prejudicando a produção e o emprego”.
O IEDI – Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial destacou o fato de que o menor ritmo de crescimento “não decorreu do esmorecimento da demanda doméstica. Ao contrário, o aquecimento do consumo interno até serviu para que outras economias se beneficiassem do mercado brasileiro. Tanto que as exportações brasileiras aumentaram 2,4% no terceiro trimestre, enquanto as importações cresceram 7,4%, reproduzindo o descompasso do comércio externo verificado nos meses anteriores”.