(27/06/2010) – Para o Grupo Bosch, o mercado latinoamericano está em processo de recuperação, após a forte queda das vendas no ano passado. “Esperamos um crescimento entre 13% e 15% na região em 2010”, afirma Andreas Nobis, presidente da Robert Bosch América Latina. Porém, segundo ele, mesmo com esse aumento, as vendas ainda não atingirão os níveis anteriores à crise econômica mundial, devido à queda nas exportações. “A expectativa é de que o volume total de negócios seja retomado em 2011”.
No ano passado, considerando os três setores de atuação da Bosch na região – automotivo, tecnologia industrial e bens de consumo e construção -, o faturamento líquido foi 22% menor, totalizando R$ 4,3 bilhões. Mas Nobis informa que a empresa continua focada na expansão regional e na diversificação dos negócios. Esse ano, a empresa passará a ter representação na Bolívia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Guatemala, Jamaica, Nicarágua, República Dominicana e Paraguai.
Do ponto de vista dos negócios, atualmente, o automotivo representa 73% do faturamento do grupo na região. “Queremos manter e até aumentar a nossa participação no segmento automotivo, porém, estamos focados em ampliar os negócios nas áreas de bens de consumo e construção e tecnologia industrial”, afirma Nobis.
No Brasil, principal presença da Bosch na América Latina, o grupo gera 11 mil postos de trabalho em 13 localidades. Em 2009, o faturamento líquido do grupo no País foi de R$ 3,8 bilhões, 20% menor que em 2008, principalmente devido à queda nas exportações de tecnologias automotivas para os EUA e Europa. “Em 2010, o volume de exportação deve continuar baixo devido ao Custo Brasil e à valorização do real frente ao dólar”, diz Nobis.
ÁREAS DE NEGÓCIOS – A divisão de ferramentas elétricas – com previsão de crescimento de 20% no Brasil – lançará nesse ano 150 novos produtos voltados para os segmentos da construção civil, industrial, profissionais autônomos e hobbistas. Os negócios de sistemas de segurança e sonorização também devem ter impacto positivo, devido ao significativo desenvolvimento da indústria de construção. Nesse segmento, a Bosch oferece soluções integradas para empreendimentos comerciais e residenciais, hotéis, aeroportos, monitoramento público entre outros.
Os projetos de infraestrutura têm contribuído também para o aquecimento dos negócios no setor de tecnologia industrial. Esse ano, a Bosch Rexroth está fornecendo as unidades hidráulicas e os cilindros para comportas e reguladores de turbinas da hidrelétrica do Rio Madeira, atualmente em construção na região norte do País. Também está ampliando a gama de produtos como filtros, válvulas-cartucho, unidades compactas e grandes motores hidráulicos.
A Bosch Tecnologia de Embalagens tem boas expectativas no setor de bens de capital. A crescente demanda do mercado consumidor por produtos industrializados deve gerar novos investimentos da indústria para a ampliação da capacidade produtiva. A Bosch tem soluções completas, como robôs e embaladoras de última geração, principalmente para a indústria de alimentos.
Em termotecnologia, a Bosch consolidou sua posição no mercado de aquecedores de água a gás no Brasil atingindo crescimento de 74% na vendas em 2009 e ampliou a atuação no segmento de soluções em água quente para a linha comercial e industrial com os produtos da marca Buderus, que incluem coletores solares, caldeiras de vapor e geradores de água de alta eficiência. Em 2010, o objetivo é consolidar a marca Buderus em toda a América Latina, bem como diversificar ainda mais seu portfólio de produtos como, por exemplo, o recente lançamento da linha de condicionadores de ar.
INVESTIMENTOS – Apesar das dificuldades no ano passado, a Bosch manteve os investimentos em pesquisa e desenvolvimento que, no Brasil, representaram cerca de 4% do faturamento do grupo no País. Para 2010, pretende manter o mesmo nível de investimento e o principal foco são as tecnologias que contribuem para a conservação e proteção do meio ambiente: sistemas bicombustíveis para veículos diesel e o Eco Starter, motor de partida utilizado no Start/Stop, sistema que desliga o motor automaticamente quando o veículo está parado por longo período.
Para esse ano, estão previstos também investimentos da ordem de R$ 45 milhões em ativos fixos no Brasil, que incluem, por exemplo, a modernização e ampliação da capacidade produtiva de algumas linhas de componentes automotivos, entre eles, bomba de combustível e corpo de borboleta para o sistema Flex Fuel.