(09/05/2010) – O setor ferroviário brasileiro vem se desenvolvendo, ano após ano. Na área do transporte de carga, em função dos investimentos feitos pelas concessionárias, na via permanente e no material rodante, a indústria ferroviária nacional ressurgiu e também investiu em expansões de fábricas e inovação tecnológica. A avaliação é de Vicente Abate, presidente da Abifer (Associação Brasileira da Indústria Ferroviária).
Segundo Abate, o governo também tem estimulado a expansão da malha, com vários projetos em execução. “Até 2020, deveremos atingir 40 mil km de ferrovia de carga, quase 40% a mais que os atuais 29 mil”, diz, observando que, paralelamente, o governo deveria dar mais atenção às correções necessárias na malha existente, de sua responsabilidade, mas que ainda estão aquém das reais necessidades.
De acordo com dados da Abifer, nos últimos dez anos foram fabricados cerca de 28 mil vagões de carga, maior volume desde a década de 70, quando foram produzidos 30 mil. Estima-se que nos próximos dez anos serão fabricadas entre 30 e 35 mil unidades, com grande possibilidade de superar o volume histórico.
No segmento de carros de passageiros, a década passada foi a recordista, com quase 2 mil carros produzidos, contra mil na década de 70, estimando-se expressivos 4 mil na década atual.
“Locomotivas não eram mais produzidas aqui havia 10 anos, e hoje são fabricadas, inclusive as de alta potência e de corrente alternada”, conta Abate.
Para o ano de 2010, as projeções da indústria indicam a produção de 2.500 vagões (1.022 em 2009), 500 a 550 carros de passageiros (438 em 2009) e 60 a 70 locomotivas (22 em 2009). “Por tudo isso, os próximos 10 anos serão extremamente promissores para o setor ferroviário brasileiro”, complementa o presidente da Abifer.
Para que esta previsão aconteça, há que se continuar investindo em infraestrutura de transporte, mormente a ferroviária. “Temos que retornar aos níveis da década de 70, quando eram investidos 2% do PIB, quando hoje não chegamos a 0,5%”, reforça.