São Paulo, 22 de junho de 2026

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28/02/2010

Dois terços das válvulas consumidas no País já são importadas

(28/02/2010) – Estima-se que o setor de válvulas industriais no Brasil movimente cerca de US$ 1,5 bilhão por ano. Há uma década quase a totalidade desse montante era produzida internamente, mas nos últimos cinco anos esse quadro mudou radicalmente. A Abimaq calcula que atualmente quase dois terços desse total (US$ 900 milhões) chegam aos clientes nacionais via importação – em grande parte da China, que está dominando também esse segmento industrial.

Além disso, parte dos US$ 600 milhões comercializados pelos fabricantes nacionais também já tem a mesma origem. “Acredito que dos 60 associados da Câmara Setorial de Válvulas Industriais (CSVI), da Abimaq, 50 já importem parcial ou totalmente seus produtos da China”, observa Pedro Lúcio, presidente da CSVI. “Minha empresa, a RTS Válvulas, é uma das poucas que fabricam todos os seus produtos localmente, mas estamos prestes a aderir a esta tendência”.

Para explicar o porquê dessa tendência, Lúcio frisa que – agravada pela atual taxa de câmbio – é praticamente impossível concorrer com os produtos chineses. E dá um exemplo: se importada da China, a válvula de 4 polegadas – considerada uma commoditie, com aplicações nos mais variados segmentos industriais e na construção civil – chega ao Brasil ao custo de R$ 60. “Se produzida aqui, essa mesma válvula tem o custo de R$ 100 só em matéria-prima (basicamente aço/ferro, borracha e tinta)”, lamenta.

Para Lúcio, a “invasão chinesa” no mercado de válvulas é um fenômeno mundial. Conta que visitou o principal evento do segmento no mundo, a ValvWorld, realizada na Holanda no ano passado, e constatou: dos 450 expositores nada menos que 300 eram chineses. “Nenhum brasileiro, claro, íamos fazer o que lá?”, comenta. Enquanto no Brasil calcula-se que existam cerca de 200 fabricantes de válvulas, o exército chinês totaliza 5 mil fabricantes “que pagam a seus operadores de tornos e centros de usinagem US$ 100 por mês, não têm 13º, com obrigações trabalhistas que não chegam a 20% do salário (aqui é de cerca de 100%), matéria-prima a um preço muito inferior…”, afirma.

Certamente, esse é um dos fatores que explicam porque a recuperação da economia brasileira não se refletiu com o mesmo peso em alguns setores, caso de máquinas-ferramenta e ferramentas de corte para usinagem. Afinal, cada vez mais produtos, peças e componentes são importados, não necessitando, portanto, de máquinas ou ferramentas para produzi-los. Nem de trabalhadores.

O risco dessa tendência tem um nome assustar os gerem a política econômica nacional: desindustrialização. Porém, pelo que se pode perceber, não é o que ocorre.

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