(14/02/2010) – A Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA), da Abimaq, está organizando seus associados em um pool para importar aço. Em nota distribuída à imprensa, a diretoria informa que “a ação é um dos principais focos de atuação da câmara nesse início de ano com o objetivo de tornar as máquinas e implementos agrícolas produzidas pelos associados à CSMIA mais competitivos no mercado”.
De acordo com a CSMIA, o cenário atual é preocupante. A indústria brasileira de máquinas agrícolas está perdendo competitividade devido à valorização excessiva do real frente ao dólar e ao alto preço do aço no mercado interno, principal insumo para a cadeia produtiva. No ano de 2009, o setor amargou uma queda de 28,2% em seu faturamento e as exportações sofreram retração de 52,6%. Com o esperado crescimento da demanda para este ano a tendência que já se observa é o aumento de preços pelas indústrias de aço para recuperar margens.
“O aço aqui é muito mais caro que na Europa, China e Estados Unidos. E isto não é devido somente à alta carga de impostos no país”, afirma o presidente da CSMIA, Celso Casale. Segundo Casale, em outros mercados, é possível encontrar chapas de aço com qualidade semelhante ao produto brasileiro até 50 % mais barato, chegando aqui com valor pelo menos 20% inferior ao produzido no Brasil mesmo incluindo os custos com transporte, impostos e demais despesas com importação.
Foi pensando nisso que a câmara optou por criar um pool de empresas associadas para importar em conjunto o aço. A decisão foi tomada após discussões entre os empresários e tentativas de conseguir descontos para a compra do insumo dentro do país. A siderurgia, ao contrário, ainda conseguiu que o governo impusesse uma barreira alfandegária de 12% para a maioria dos tipos de aço comercializados no Brasil em 2009 e que ainda persiste, alegando que, com a medida, asseguraria os empregos do setor durante a crise econômica sem considerar os efeitos adversos nos setores dependentes do aço para produzir.
Durante 2007 e 2008 o argumento usado pelas usinas para o aumento de preços no mercado interno era de que a demanda chinesa era alta ou devido à valorização do dólar. “O aço no mercado externo continua sendo mais barato que no Brasil o que não deveria acontecer já que somos o maior produtor de minério de ferro no mundo. Não podemos ficar reféns das siderúrgicas nacionais e devemos buscar alternativas para acelerar a recuperação do setor no pós-crise”, acrescenta Casale.
Até o momento cerca de 30 empresas se cadastraram para fazer parte do eventual pool para importação em conjunto. O setor de máquinas e implementos agrícolas, excluído o segmento de tratores e colheitadeiras, usa aproximadamente 60 mil toneladas de aço por mês.
A CSMIA – Segundo o material distribuído à imprensa, a Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas é a maior dentre as demais 24 câmaras da Abimaq. Com cerca de 160 associados, a CSMIA reúne fabricantes de máquinas destinadas à produção agrícola, desde equipamentos para o preparo de solo, plantio, pulverização, colheita, criação de animais até armazenagem e transporte de produtos agrícolas.