(29/11/2009) – O faturamento do setor de máquinas e equipamentos voltou a cair em outubro após dois meses de crescimento. A queda foi de 10% em relação a setembro de 2009. De acordo com Carlos Pastoriza, vice-presidente da Abimaq, que divulgou os números relativos a outubro na semana passada, o resultado mostra a fragilidade da recuperação do setor.
O resultado negativo se deve ao desempenho do segmento de bens sob encomenda, de grande participação no faturamento do setor, que apresentou queda de 36,2% em outubro, em relação ao mês anterior. “Esse segmento fabrica equipamentos pesados, de longa maturação, e o resultado negativo de outubro se deve a uma queda na entrada de pedidos há alguns meses, no auge da crise”, explicou Pastoriza. Frisou, porém, que “o segmento tem uma boa carteira pedidos e vai se recuperar”.
Para Carlos Nogueira, diretor da entidade, o desempenho do setor em outubro mostra que os esforços do governo na área de financiamento estão ajudando o setor, mas ainda não são suficientes, como prova o desempenho do segmento de máquinas-ferramenta, que também registrou queda (20%) em outubro. “Historicamente, 60% dos investimentos no Brasil são feitos com capital próprio”, afirmou.
O diretor informou ainda que em cerca de dois meses de operação do PSI – Programa de Sustentação do Investimento, linha voltada ao segmento de bens de capital, já somava R$ 25 bilhões, mais da metade dos R$ 44 bilhões disponibilizados pelo BNDES. Segundo Nogueira, a Abimaq tem feito pleitos junto ao governo que visam a “perenização” das condições de financiamento do PSI.
QUEDA DE 21,2% EM 2009 – De acordo com os dados do Departamento de Economia Estatística da Abimaq, o faturamento da indústria brasileira de máquinas e equipamentos somou R$ 5,36 bilhões, resultado 10,1% menor que o de setembro de 2009 e 27% abaixo do registrado no mês de 2008. No acumulado do ano (janeiro a outubro), o faturamento do setor soma R$ 51.72 bilhões, resultado 21,2% menor que o do mesmo período de 2008, quando atingiu R$ 65,52 bilhões.
De acordo com Pastoriza, essa queda nominal de 21,2% aponta para um fechamento do exercício de 2009 em torno de 20% abaixo do desempenho de 2008. Para o dirigente, a se confirmar esse resultado, ele será pior do que o esperado pela entidade meses atrás, quando estimava queda de 15% ao longo de 2009.