São Paulo, 20 de junho de 2026

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06/09/2009

Bens para o pré-sal terão de ser produzidos no Brasil

(06/09/2009) – Em entrevista ao jornal Valor Econômico, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, disse que, com o pré-sal, o objetivo do governo “é criar empresas aqui e criar empregos para os brasileiros”.

Responsável pelas novas regras que irão regular os fornecimentos de equipamentos à Petrobras, a ministra afirmou: “A política é a responsável pelo empobrecimento dos países produtores de petróleo. É a importação a qualquer custo de sondas, equipamentos e navios, como fizeram no passado. Quando chegamos ao governo, importava-se tudo da Coreia e de Cingapura”.

Ainda segundo a ministra, será criada política industrial clara para as empresas, o que já está sendo preparado pelo BNDES. “As empresas terão de ter conteúdo local”, frisou.

INVESTIMENTOS – Já o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, em reunião na Abimaq, disse aos empresários que as empresas do setor de máquinas e equipamentos terão de investir de US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões nos próximos quatro anos para acompanhar o desenvolvimento da exploração de petróleo no pré-sal, que consumirá R$ 120 bilhões nos próximos quatro anos.

O relato da reunião foi feito ao jornal “O Estado de São Paulo” pelo presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto. “O recado foi que a indústria precisará se preparar para uma nova onda de investimentos”, disse Aubert.

De acordo com o diretor da Área de Serviços da Petrobras, Renato Duque, também citado pelo “Estadão”, a ideia do governo é elevar o índice de conteúdo nacional na fabricação de equipamentos para o setor, hoje em 65%, em média. Para garantir um porcentual maior, o BNDES estaria preparando linha de crédito especial, com incentivos e juros reduzidos. “A atuação do banco será fundamental. O aumento do conteúdo nacional será uma consequência natural do aumento dos investimentos e da certeza da existência de mercado a longo prazo. A tendência é a de aumentar o índice)”, teria dito Duque.

Diferente do informado pelo Valor, no BNDES não há expectativa de alteração no índice de nacionalização, segundo o “Estadão”.

EMPRESAS – Já os empresários do setor, de acordo com o jornal paulista, têm interesse em participar da empreitada, mas querem uma contrapartida: mudança na composição do índice mínimo. Hoje, o porcentual de 65% é usado de forma geral, o que poderia servir de parâmetro também para a estatal a ser criada, a Petro-Sal. A indústria reclama que, como o índice é para compras totais das empresas, facilmente é preenchido com produtos brasileiros mais simples, o que abre espaço para que a compra de equipamentos mais sofisticados do exterior.

“O que a indústria pede é a fixação de índice por segmento. Desse modo, as empresas seriam obrigadas a comprar pelo menos uma parte de todos os tipos de produtos do mercado doméstico. Outra crítica da indústria nacional são as condições de competição com as companhias estrangeiras. Segundo a Abimaq, as empresas estrangeiras têm incentivos financeiros e tributários maiores em seus países de origem”, informa o jornal.

Fontes: Valor Econômico – O Estado de São Paulo.

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