São Paulo, 19 de junho de 2026

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01/03/2009

Poli-USP desenvolve simulador de trem para a Vale

(01/03/2009) – O Departamento de Engenharia Mecânica da Poli-USP, em conjunto com a Vale do Rio Doce, está desenvolvendo o projeto Simulador de Realidade Virtual. Com ele, a companhia contará com tecnologia de ponta para treinar e capacitar seu quadro de maquinistas. Atualmente a empresa gerencia a maior malha ferroviária do País – Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), com 905 km de extensão; da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), com 8.066 km; e a Estrada de Ferro Carajás (EFC), com 892 km. No total, são cerca de 3.000 maquinistas que conduzem mais de 1.000 locomotivas.

No simulador, serão contemplados todos os sistemas que formam o trem, desde a tração, os freios dinâmico e distribuído, a dinâmica de vagões, a geometria da via férrea, até a visualização do ambiente com variações do dia (com sol, chuva, neblina, noite) e sons. Além disso, estarão incorporados aspectos como o tempo de percurso, consumo de combustível, choques de força de tração/compressão em engates e índice de segurança contra descarrilamento.

“O Simulador permitirá, ainda, o estudo de novas configurações de trens, formas de operação, além de poder se utilizado como ferramenta de engenharia. Com este desenvolvimento pretendemos atender às necessidades de organização e gestão do conhecimento técnico sobre modelagem e operação de trem”, ressalta Roberto Spinola Barbosa, professor do Departamento de Mecânica da Poli-USP.

“A idéia deste desenvolvimento com a Escola Politécnica da USP é de que possamos ter um software nacional, com o que há de mais moderno em termos de realidade virtual. Até hoje os simuladores que utilizávamos vinham do exterior e ao adquiri-los acabávamos ficando reféns daquela tecnologia na hora de fazer as atualizações ou evoluções do software. Quando tivermos esse produto entregue, será o primeiro simulador com tecnologia totalmente nacional para utilização em ferrovia”, explica Luiz Fernando Landeiro, gerente geral de Desenvolvimento de Serviços Técnicos Ferroviários e gerente do projeto do Simulador.

Segundo ele, a companhia tem grande expectativa em relação ao projeto, porque a partir desse novo software, gradativamente, todos os demais serão substituídos. “Hoje estamos trabalhando com a realidade virtual para o treinamento dos maquinistas, mas a idéia é de que esse software possa ser expandido. Podermos ir construindo módulos complementares que possam fazer outras análises, por exemplo, estudar como é o contato da roda do trem com o trilho, seu consequente desgaste e as forças atuantes dentro do trem.”

É uma condição totalmente diferente do que está disponível para a empresa até agora, como destaca Landeiro. “Existem vários softwares no mercado, mas são específicos para cada funcionalidade, e são várias as plataformas. Nesse projeto o que se pensa é uma plataforma única com todas essas funcionalidades integradas.”

O projeto Simulador de Realidade Virtual, que teve início em janeiro de 2008 e deve ser concluído em 2010, faz parte do convênio para projetos de pesquisa, assinado entre a Universidade de São Paulo e a Vale, em 30 de junho de 2006, com duração de cinco anos. “Com o acordo está sendo possível desenvolver projetos temáticos de longo prazo em pesquisa básica”, diz Spinola.

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