(01/03/2009) – A indústria de máquinas-ferramenta foi um dos segmentos industriais mais atingidos pela crise que se instalou no setor de máquinas e equipamentos no Brasil. O faturamento caiu 60,7% no mês de janeiro de 2009, em comparação com o mesmo mês do ano passado. Em relação a dezembro de 2008,a queda também é expressiva, de 58,9%. A entrada de pedidos também registrou declínio de 17,1%.
“Achávamos que haveria queda, mas esse números são assustadores”, observou Luís Aubert Neto, presidente da Abimaq. “A situação é preocupante. Os investimentos estão paralisados”, disse o dirigente durante a divulgação do balanço de janeiro do setor de máquinas e equipamentos.
Praticamente todos os subsetores da Abimaq foram atingidos pela redução no volume de negócios. A exceção ficou por conta do subsetor de Válvulas Industriais, com crescimento de 60,2%, puxado pelas compras realizadas pela indústria de óleo e gás, com destaque especial para a Petrobras.
Os demais 25 subsetores reunidos na Abimaq apresentaram queda, algumas tão expressivas quanto o de máquinas-ferramenta, caso de máquinas têxteis (-67,2%) e máquinas para madeira (-61,2%). Com redução do faturmento na casa dos 40% estão os de máquinas para plástico (-46,1%), bombas e motobombas (-46,7%) e bens sob encomenda (-47,5%). Máquinas agrícolas, máquinas gráficas e outras máquinas tiveram queda acima de 20%. Diante deste cenário, a queda de 4,1% do segmento de hidráulica e pneumática é quase motivo de comemoração.
Na média, em janeiro, as vendas do setor de máquinas e equipamentos caíram 30%, na comparação com o mesmo mês de 2008. “As medidas tomadas pelo governo ainda não estão surtindo os efeitos necessários”, analisou Aubert, salientando que já solicitou audiências com o governador de São Paulo e com o presidente da República. Nesses encontros, pretende reforçar a urgência na adoção de medidas que desonerem a venda de máquinas no mercado interno. Segundo o dirigente, tais medidas poderiam reduzir em até 25% os preços das máquinas.
“Se as vendas mantiverem-se nesse ritmo de queda, até o final do semestre o setor fechará cerca de 50 mil postos de trabalho”, alerta Aubert. Esse número representa mais de 20% da força de trabalho empregada no setor. Segundo a Abimaq, desde outubro o setor de máquinas e equipamentos cortou cerca de 8 mil vagas.