(07/12/2008) – A indústria de máquinas e equipamentos nacional fechou outubro com faturamento de R$ 7,33 bilhões – volume 10,3% menor que o obtido em setembro. Vale lembrar que, com um total de R$ 8,17 bilhões, setembro foi o mês de melhor resultado do setor em 2008. Outro dado relevante é que, apesar da queda em relação a setembro, o faturamento em outubro é superior ao do mesmo mês do ano passado, quando se atingiu R$ 5,22 bilhões.
No acumulado do ano, de janeiro a outubro, a indústria de bens de capital mecânicos registrou faturamento nominal de R$ 65,4 bilhões, correspondendo a crescimento de 29,3% em relação a igual período do ano anterior. O consumo aparente (produção + importação – exportação) teve elevação de 37,3% no mesmo período, totalizando R$ 79,4 bilhões. Com base nos levantamentos realizados pelo Departamento de Economia e Estatística da Abimaq, o presidente da entidade, Luiz Aubert Neto, estima que o setor deverá encerrar o ano de 2008 com expansão dos negócios e do faturamento acima de 20%.
Esse resultado positivo, e bem superior ao resultado dos últimos anos, é reflexo do bom momento vivido pelo Brasil durante o ano de 2008, quando o mercado interno se manteve aquecido, o que incentivou a renovação e ampliação de parques fabris das empresas dos diversos segmentos da economia. “Infelizmente, a crise internacional – que não foi gerada pelo nosso país, mas que nos afeta, ainda que de forma menos intensa do que em outros mercados – deverá diminuir o ritmo do crescimento industrial como um todo, em 2009, e cujos efeitos serão sentidos em 2010”, destaca Aubert.
Segundo o executivo, como as indústrias do setor de bens mecânicos trabalham no médio e longo prazos, muitos dos pedidos em carteira colocados este ano serão atendidos no início do próximo exercício, assegurando o faturamento do setor até meados de 2009. “Em 2009, se medidas estruturais voltadas para dirimir os efeitos da crise não forem aplicadas, poderemos perder um ano de crescimento e ver a indústria de bens de capital mecânicos voltar aos níveis de 2007”, supõe Aubert. “É importantíssima a manutenção de crédito em condições próximas às de antes da crise, bem como a garantia de que estes sejam direcionados ao setor produtivo de forma a permitir assim a retomada do crescimento mais sustentado em 2010”.
Para Aubert é fundamental que as empresas não se atemorizem frente a um cenário pouco favorável que poderá ser mudado se houver empenho da iniciativa privada, associações de classe e governo para manter o nível de renda da população e, conseqüentemente, da sua capacidade de consumo. “Se os setores industriais deixarem de investir, outros setores serão afetados e logo teremos inadimplência e desemprego. Não podemos deixar isso acontecer”, alerta.