São Paulo, 18 de junho de 2026

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03/08/2008

Máquinas: Abimaq discute novo regime tarifário na Argentina

(03/08/2007) – Delegação da Abimaq reúne-se nesta terça-feira (05/08), em Buenos Aires, com representantes da Adimra, entidade que reúne os fabricantes de máquinas e equipamentos da Argentina. Em pauta, o novo acordo tarifário entre os dois países (extensível ao Mercosul, se houver aprovação de todos os membros). A entidade brasileira sugere alíquota de 14% sobre importações de máquinas adquiridas de países fora do bloco comum. Propõe também lista de equipamentos não fabricados no Mercosul, os quais teriam imposto de importação reduzido para 2% ou até mesmo isenção.

A Abimaq participa da comitiva que acompanha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que estará esta semana na Argentina e se encontra no dia 3 de agosto com a presidente Cristina Kirchner. Vários setores de ambas as economias marcaram compromissos reservados.

Desde 2001, quando passou por séria crise econômica, a Argentina adota tarifa zero sobre importação de metade dos equipamentos que utiliza, trazidos de qualquer lugar do mundo. Isto representa desvantagem para a indústria brasileira de bens de capital porque no Mercosul a tarifa já é isenta.

Também constrange o empresariado brasileiro o bônus de 14% que o fabricante argentino de máquinas recebe do seu governo ao vender no mercado interno. O diretor executivo da Abimaq, Mario Mugnaini Júnior, frisa que o procedimento fere preceitos da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O regime tarifário atual da Argentina expira no final do ano. “Por isso, precisamos de novo acordo”, propõe Mugnaini. A Abimaq, porém, concorda que os seis meses restantes de 2008 não serão suficientes para firmar e adotar nova regulamentação e sugere período de mais um ano para as duas entidades chegarem a um consenso.

Por ocasião da última Feira da Mecânica, em maio, Abimaq e Adimra ensaiaram conversa. Na ocasião, o empresariado argentino manifestou interesse em continuar por mais cinco anos com o atual modelo tarifário. “Nós não concordamos. Queremos um regime comum sem bônus e livre”, ressalta Mugnaini.

Mesmo com o subsídio de 14%, a indústria brasileira de máquinas e equipamentos vende US$ 700 milhões por ano à Argentina e compra US$ 150 milhões. Para este ano, Mugnaini prevê 10% a mais nos negócios. Paraguai e Uruguai adquirem anualmente US$ 150 milhões em equipamentos do Brasil, sem contrapartida. A maioria dos bens vendidos pelo Brasil é formada por máquinas rodoviárias, operatrizes e para plástico. Este último item sofre forte concorrência de similares chineses, por causa da tarifa zero, na Argentina.

Reportagem: Otávio Nunes

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