São Paulo, 18 de junho de 2026

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27/07/2008

Óleos: redução de custos inconseqüente

(27/07/2008) – Há algum tempo banidas da composição de óleos refrigerantes e lubrificantes industriais, algumas substâncias – como aminas secundárias e nitritos – estão de volta ao mercado brasileiro. Testes realizados num laboratório europeu, em dois produtos comercializados no Brasil, apontaram a presença dessas substâncias.

Segundo especialistas, as aminas secundárias e o nitrito, em si, não são maléficas, mas quando associadas dão origem às nitrosaminas, substância considerada cancerígena.

Nos mesmos produtos foram encontrados também boro – que está na lista negra de muitas empresas no mundo – e ácido benzóico, substância sobre a qual existem pesquisas (ainda não conclusivas) sobre sua ação no sistema reprodutor humano.

De acordo com um especialista, o retorno desses produtos à composição de óleos e fluidos se deve ao baixíssimo custo e à abundância dessas matérias-primas no mercado internacional. “São produtos que têm bom desempenho no que se refere à lubricidade (aminas secundárias) e corrosão (nitrito), porém são danosos à saúde do operador”, afirma. Mal comparando, é como se alguma empresa voltasse hoje a utilizar chumbo para aumentar a octanagem da gasolina, o que foi eliminado no Brasil há quase 20 anos, por questões ambientais.

Para o entrevistado, a única explicação para o retorno dessas substâncias ao mercado se deve ao custo, de 50 a 80% mais baratos que os praticados no mercado. Aliás, por isso, são utilizados no mercado asiático. “Esse retorno deve-se, em parte, à necessidade de algumas empresas nacionais de reduzirem custos para fazer frentes aos seus concorrentes da China e, para isso, estão até recorrendo às mesmas armas usadas pelos chineses, como é o caso desses fluidos”, diz o especialista, que considera este fato “um retrocesso”.

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