(06/07/2008) – A balança comercial do setor de máquinas e equipamentos vem registrando crescentes déficits. O montante que era de US$ 500 milhões em 2006, passou para US$ 4,5 bilhões em 2007 e deve chegar a US$ 12 bilhões em 2008, segundo estimativa da Abimaq – Associação brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos.
Para Luís Aubert Neto, presidente da entidade, o déficit crescente é resultado do câmbio desfavorável. “A atual taxa de câmbio, em R$ 1,60, favorece a importação de máquinas e dificulta nossas exportações, tanto que em 2008 a participação das exportações no faturamento do setor está abaixo de 30%, pela primeira vez em nossa história”, afirma.
O dirigente ressalta que a entidade não é contra as importações, principalmente as que trazem alguma contribuição tecnológica à indústria nacional. “O problema é que é crescente a importação de máquinas e equipamentos de baixo ou de nenhum conteúdo tecnológico”, diz.
Aubert informa que a entidade está estudando uma proposta que reduza o déficit comercial do setor e deve apresentá-la ao governo em breve. Uma das medidas deve ser o aumento do Imposto de Importação. “Hoje em média o Imposto de Importação para máquinas está em 9%. Vamos reivindicar o aumento para 20% ou 25%”, diz, frisando que se não houvesse o problema cambial talvez essa necessidade nem entrasse na pauta da entidade.
“Por contar com tarifa de Imposto de Importação de 35%, o setor automotivo não sente tanto os reflexos da queda do dólar. O que está viabilizando o renascimento da indústria naval é uma tarifa de 49% de II. Isso eu chamo de política industrial. O governo deve apoiar os setores que considera estratégicos e o setor de máquinas e equipamentos também o é. Todos os países industrializados têm uma indústria de bens de capital forte”, justifica.