
(05/09/2021) – Realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a mais recente pesquisa “Produtividade na Indústria” mostra que este indicador caiu 1,6% no segundo trimestre de 2021 na comparação com o primeiro trimestre deste ano.
Segundo a CNI, o índice se encontra em patamar próximo ao do segundo trimestre de 2020, quando começou a crise decorrente da pandemia da Covid-19. A pesquisa aponta ainda que a produtividade do trabalho na indústria acumula três trimestres consecutivos de queda.
A produtividade é um termômetro importante sobre o comportamento da economia e o seu comportamento recente na indústria sinaliza uma tendência negativa, ou seja, de que ela está em queda no Brasil.
E ela já é assustadoramente baixa. Em 2019, por exemplo, o trabalhador brasileiro levava uma hora para fazer o mesmo produto ou serviço que um norte-americano conseguia realizar em 15 minutos, e um alemão ou coreano em 20.
De acordo com a CNI, a baixa produtividade atual resulta da combinação da redução de 3,8% da produção da indústria de transformação e da queda de 2,3% das horas trabalhadas na produção.
“Esse indicador em queda reflete, sem dúvida, um esgotamento dos investimentos feitos, e o ambiente de incerteza para quem investe”, explica o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo.
O economista explica que essas quedas também refletem as incertezas geradas pela pandemia, as dificuldades decorrentes da escassez e da alta do preço dos insumos e a redução do consumo, além de fatores conjunturais.
“Com tantos e diversos fatores em contração, não surpreende esse comportamento da produtividade”, afirma.
Segundo Azevedo, o grande desafio é que não há crescimento sustentável sem a elevação da produtividade, e a produtividade só poderá aumentar com mais investimento em inovação, gestão e capacitação.
“No passado, em momentos de aceleração da economia, um dos entraves foi a falta de trabalhador qualificado, que limitou o crescimento”, explica. “Por isso, o investimento na educação e qualificação é fundamental para que essa história não se repita quando a economia brasileira, finalmente, superar a pandemia e iniciar um novo ciclo de expansão”.