(18/08/2021) – A Embrapii – Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial começou a desenvolver, com a multinacional brasileira Tupy e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), projeto de inovação que visa possibilitar a reciclagem de baterias de lítio.
A parceria, encabeçada por pesquisadores da Unidade Embrapii Tecno Green (Química Verde) sediada na Poli-USP, prevê investimentos de R$ 4 milhões e pretende contribuir para um menor gasto de energia, redução de emissões e mais materiais recuperados no trabalho de reciclagem de baterias, atendendo assim antiga demanda da indústria.
De modo geral, os processos de reciclagem de baterias no Brasil são feitos por meio de pirometalurgia, quando a matéria-prima é coletada e depois incinerada. Nesse sistema, ocorre um alto consumo de energia, as emissões de carbono são elevadas e a perda na recuperação de materiais, como o lítio, é muito grande. O objetivo da pesquisa é ajudar a resolver este problema.
Os pesquisadores estão se concentrando na técnica de hidrometalurgia, processo em que a matéria-prima é dissolvida em soluções ácidas e, só então, é extraída a substância desejada.
Ao contrário do que ocorre na pirometalurgia, nesse método é consumido menos energia, geradas menos emissões e há maior recuperação de materiais.
De acordo com Jorge Tenório, coordenador do Laboratório de Tratamentos, Reciclagem de Resíduos e Extração (Larex) da Embrapii Tecno Green, um objetivo lateral desta pesquisa é o de responder ao que talvez seja o desafio mais importante para a viabilidade dos veículos elétricos, que é o seu ciclo de vida.
“E isto depende principalmente do ciclo de vida das baterias, que contêm uma variedade de matérias-primas metálicas, de terras raras e não renováveis”, explica Tenório. “Para aumentar este ciclo, é necessário investir em reciclagem, o que diminuiria também a necessidade de extração e o impacto ambiental”.
Para Fernando Cestari de Rizzo, CEO da Tupy, o projeto é interessante na medida que atende à estratégia da empresa de investir cada vez mais na chamada economia circular, e em negócios que demandem soluções tecnológicas em metalurgias mais complexas.