(11/07/2021) – Um estudo multidisciplinar realizado em 2019 na Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), localizada no interior de São Paulo, indica que o processo de financeirização na indústria automotiva foi um dos fatores determinantes para a decisão da Ford de deixar o país, no começo deste ano.
A pesquisa, feita no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Ufscar, deu origem a um livro, “Financialisation in the automotive industry: capital and labour in contemporary society”, lançado na última sexta-feira, 9, pela Routledge e já disponível para compra no site da editora
A pesquisa mostra as características que vêm marcando o processo de financeirização nas cinco maiores montadoras do mundo: Toyota, Volkswagen, Hyundai, General Motors e Ford, abordando os lucros obtidos de atividades financeiras e produtivas, a mudança da composição acionária, a origem dos dirigentes e os pagamentos de dividendos a acionistas e os salários de funcionários.
Segundo o estudo, embora haja diferenças entre as montadoras, a financeirização está em curso em todos elas, configurando no setor a transição para o capitalismo financeiro, com grande impacto no emprego e investimentos.
Os resultados mostraram participação maior das atividades financeiras em todas as montadoras, embora os casos mais patentes sejam os das empresas fundadas nos Estados Unidos – Ford e GM -, inclusive por serem as mais antigas.
A Hyundai foi considerada a menos financeirizada, com equilíbrio entre as fontes de lucro, pagamentos de dividendos mais baixos a acionistas e controle acionário dentro do próprio grupo, um conglomerado familiar.
Ford, Toyota e Volks distribuíram de 97% a 100% do seu resultado líquido a acionistas, e a GM 80%, na média dos anos estudados (2010-2015). Já a Hyundai, apesar de ter pago apenas 17% a acionistas em 2015, prometia aumentos substanciais nos anos seguintes.
A análise apontou que mais ou menos 1% dos acionistas institucionais controlam cerca de metade das ações das companhias, revelando imensa concentração de recursos e poder decisório. Os fundos de investimento dominam a Ford e a GM e os bancos, a Toyota.