
(07/02/2021) – De acordo com dados divulgados recentemente pela Abimaq – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, o setor de máquinas agrícolas registrou crescimento real de 17,6%, considerada a inflação do período, em 2020. Nominalmente, o aumento foi de 27% nas vendas.
Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, diz que em 2020 o fundamento básico das vendas foi a rentabilidade das culturas de exportação: soja, milho, café, algodão e açúcar. Além disso, a desvalorização do real também contribui para o aumento da rentabilidade do agricultor. “Ele plantou com o dólar baixo e quando ele foi vender o dólar tinha subido cerca de 30%”, explica.
Outro fator que colaborou com o aumento das vendas de máquinas agrícolas foi o recorde de exportações do agronegócio, principalmente para a Ásia. Além dos produtos já citados também houve a exportação de carne e celulose. Segundo o executivo, “o Brasil se tornou um grande fornecedor de alimentos e celulose para o mundo, desempenhando muito bem esse papel”.
Os números apresentados pela Anfavea para máquinas agrícolas são diferentes. Segundo a anfavea, o crescimento das vendas foi de 7%. Estevão esclarece que a CSMIA reúne cerca de 430 associados, incluindo os fabricantes de implementos agrícolas, espelhando portanto mais segmentos do setor, enquanto os números da Anfavea são mais focados em tratores e colheitadeiras. “Uma consulta aos desembolsos dos financiamentos, no Banco Central, permite essa checagem e os números são próximos a 27%”, detalha.
Crédito e financiamento – O dirigente setorial informa ainda que, em decorrência da alta nos pedidos no segundo semestre, os recursos do Plano Safra 2020/2021 se esgotaram. “A demanda foi tão grande que, o que era para teoricamente durar um ano, de julho a julho, durou cinco meses.”
Atualmente, as duas principais linhas de financiamento, Moderfrota – para médios e grandes agricultores – e Pronaf (para pequenos agricultores) estão fechadas. Sendo assim, no primeiro semestre de 2021 não há linhas de financiamento disponíveis e não há perspectivas de novos aportes do Governo Federal no período.
“O primeiro semestre não vai ser ruim porque temos uma carteira razoável”, afirma Estevão. A tendência é que a partir de julho, com um novo Plano Safra, as vendas de máquinas aumentem, principalmente para o pequeno agricultor, já que pelo Pronaf – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar é possível financiar com juros a 4%, taxa quase que inexistente no mercado (geralmente entre 7,5 e 9%).
Pedro Estevão afirma que hoje o agricultor não tem muitas opções de investimento. A taxa da renda fixa, por exemplo, está abaixo dos 2%. “Então, é melhor que ele invista no negócio dele, comprando máquinas mais modernas, do que ficar com dinheiro parado no mercado financeiro”. O apelo por máquinas mais tecnológicas é forte, afinal apresentam melhor performance em termos de conectividade, precisão, produtividade, economia de insumos etc.
Perspectivas para 2021 – Segundo o executivo da Abimaq, o cenário de 2020 se estendeu para 2021: câmbio desvalorizado, boa rentabilidade e exportações. A perspectiva é de que ocorra um crescimento nominal de 7%. “O crescimento real seria de 3%. E isso não é pouco, porque se dá sobre uma grande expansão, de 17,6%”, finaliza Estevão.