(01/02/2021) – A falta de insumos e o recrudescimento da pandemia do novo coronavírus no Amazonas, cuja capital, Manaus, reúne as principais fabricantes de motocicletas instaladas no país, fez a Abraciclo, a entidade que representa o setor, reduzir suas expectativas com relação a 2021.
A associação projeta que a produção no Polo Industrial de Manaus (PIM) deverá superar por margem estreita a marca de 1 milhão de motos, chegando a 1,06 milhão, atingindo, assim, expansão de apenas 10,2% na comparação com as 961.986 unidades produzidas em 2020.
O volume de 2020 representou queda de 13,2% sobre 2019 e de 7,2% diante de 2018, mas ficou acima de 2016 e 2017, quando as fábricas de Manaus produziram menos de 900 mil motocicletas em cada ano.
“Esperávamos um 2021 melhor, após um ano de tantas restrições que inviabilizaram o atendimento integral da demanda e ainda geram filas de espera”, disse Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo, em entrevista coletiva realizada na última quarta-feira, 27. “Mas voltamos a enfrentar os efeitos do alastramento descontrolado da Covid-19 no Amazonas e está nos faltando peças e componentes para trabalhar”.
Segundo Fermanian, a situação é tão delicada que quatro montadoras de Manaus – Honda, Dafra, Ducatti e Suzuki – tiveram de paralisar a produção na segunda-feira, 25, a princípio por uma semana.
O executivo destacou que no momento não há perspectivas de demissões nas fábricas dos 10 associados manauaras da Abraciclo. “Muito ao contrário, precisamos contratar para aumentar a produção e atender a demanda, que continua aquecida”, afirmou. “Só não podemos fazer isso agora por causa das restrições trazidas pela nova onda da pandemia”.
Fermanian lembrou que o setor, mesmo produzindo menos, não demitiu e até contratou em 2020. O nível de emprego cresceu 5,2% nas fábricas de motos do PIM, de 12.159 empregados no fim de 2019 para 12.794 em dezembro passado. “Foi necessário contratar para aplicar os protocolos de maior distanciamento entre as pessoas nas linhas de produção, mas com isso a produtividade caiu de 91 motos produzidas por funcionário em 2019 para 75 no ano passado”, observou o presidente da Abraciclo.