
(02/08/2020) – “Abril foi o fundo do poço e a tendência, agora, é que todos os meses sejam melhores”, disse José Velloso, presidente-executivo da Abimaq, ao comentar o balanço de junho do setor de máquinas e equipamentos, apresentados em coletiva de imprensa online na semana passada. Em junho, as receitas líquidas recuaram 12,4%, na comparação com o mesmo mês do ano passado (e 3,4% em relação a maio de 2020), depois das retrações de 14,1%, em maio, e 25,6%, em abril.
Segundo a Abimaq, “ainda que a receita total nos últimos três meses tenha retraído, esses resultados têm sido menos negativos a cada mês por conta das receitas internas”. Em junho, as receitas internas encolheram 10,1% na comparação interanual (mas cresceu 0,5% na comparação com o mês anterior), queda menos densa que a observada em maio (-14,9%) e abril (- 26,5%). “Tal resultado reforça a hipótese de que a economia brasileira já tenha vivenciado o pior momento da pandemia”, ressalta o relatório do balanço.
O resultado poderia ser melhor, não fosse a forte queda nas exportações – que em junho registraram nova retração de 3,8% (em comparação a maio de 2020) e 35,1% (em relação a junho de 2019). “O grande problema agora são as exportações. Despencaram as exportações de manufaturados em todo o mundo”, diz Velloso, lembrando que no ano passado as exportações responderam por 36% do faturamento do setor.
Velloso apontou alguns segmentos que vêm contribuindo para o nível de vendas no mercado interno. São eles: o setor agrícola, o de bens para indústria de consumo não duráveis (alimentos, embalagens, plásticos, medicamentos…), papel e celulose, infraestrutura (máquinas rodoviárias), além dos serviços de manutenção, que impactam positivamente as vendas de compressores, bombas e válvulas.
Diante desse quadro, a entidade projeta queda de 8 a 10% no ano de 2020. “Nesse momento, a queda é de 8,5%, mas, como os últimos meses de 2019 foram bons, é possível que esse número chegue a 10%”, diz. “No início do ano, prevíamos crescer 10% e, agora, a estimativa é de queda de 10%. Quando as previsões indicam que o PIB cairá 6,5%, uma queda de 10% não é tão grande, mas machuca porque vem de uma base baixa”.