(12/07/2020) – Na última segunda-feira, 6 de julho, a Abimaq – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos realizou o webinário “A indústria Pós-Pandemia: Perspectivas e Ações para Retomada e Normalização do Setor”. Participaram do evento José Velloso – presidente-executivo da entidade —, José Luis Menghini, Leonardo Dell’Oso, Marcello Mussi e Norberto Tomasini, sócios na PWC Brasil.
Atualmente, no cenário de crise instalado pela pandemia de Covid-19, são apontados três possíveis cenários de recuperação da economia – V, U e L —, que representam diferentes impactos econômicos. O cenário V prevê impacto moderado no PIB, com retração de 5,5%. Já o cenário em U, mais severo, aponta queda de 8,5%. O cenário de em L, considerado drástico, mostra diminuição de 11% no produto interno bruto.
Segundo Mussi, o Brasil não vai sair da crise no cenário em V por alguns motivos: burocracia, carga legal, carga tributária, dificuldade de investimentos, capital caro, entre outros. “A máquina da economia brasileira é pouco lubrificada, como todos nós sabemos. É difícil retomar, como vemos historicamente. Nós apostamos mais no cenário em U. Para entrar em L teríamos que estar imersos em uma depressão e não em recessão”, explica.
Mussi também apontou que, o que pode acontecer, em termos de retomada de crescimento e picos da Covid, é que a base desse U se prolongue, levando o PIB a uma queda maior do que 8,5%. Segundo ele, o Banco Central já fala em uma queda maior, de 9%. “O governo teria que se preparar para isso. Essa é a realidade macroeconômica. A economia brasileira é resiliente, porém pouco lubrificada”, destacou o empresário.
Previsões indicam que, em um cenário em V, o país levaria um pouco mais de três anos para voltar ao PIB de 2019 e em L, até seis anos. Misturando os dois cenários, existe a projeção de que a economia brasileira demore de quatro a cinco anos para voltar ao patamar do ano passado. “Lembrando que a gente ainda não tinha voltado ao PIB de 2014. Teremos por um tempo significativo uma capacidade instalada ociosa bastante elevada. Portanto, investimentos em fábricas ou em maquinários tendem a ficar represados por um período mais longo”, comenta Mussi.
Os principais impactos para a indústria (entre outros setores) seriam quebras em processos na área de vendas e distribuição, na cadeia de produção e logística e fragilidade nas estruturas da força de trabalho. Mussi mencionou que é importante que as empresas façam uma análise de seus investimentos e fluxo de caixa, além de refletirem sobre os impactos econômicos, políticos e sociais em seus negócios. Também frisou que nem todos os setores da economia vão sentir os impactos da crise da mesma forma, uns terão mais e outros menos dificuldades. “É importante entender quão persistente será a crise para o setor e a magnitude do impacto”, disse.
Leonardo Dell’Oso afirmou que, para as empresas, a continuidade dos negócios exige foco na gestão financeira e manutenção das fontes de recursos. Apontou alguns caminhos que podem ser seguidos para dar sobrevida às empresas no pós-pandemia: gestão e preservação de caixa, reestruturação financeira e captação de dívida, vendas de ativos não essenciais, otimização tributária, busca por investidores (M&A) e preparação para recuperação judicial.
Na visão da PWC, as operações de M&A, que englobam operações de fusão e aquisição, são as que mais devem crescer no período pós-pandemia. “Empresas que estão com dificuldades devem buscar venda de ativos, de sociedade ou venda completa da empresa como estratégia de sobrevivência. O objetivo dessas operações é gerar ou preservar valor. Se a médio ou longo prazo o setor de atuação da empresa for muito afetado, não resta muitas alternativas além do M&A”, explicou Dell’Oso.
Em sua opinião, apesar de ser uma alternativa interessante, o M&A é complexo e, por isso, é “importante contar com alguém que conheça esse processo”. Ele também apontou algumas razões para a intensificação do M&A no pós-crise: necessidade de sobrevivência das empresas, recomposição de caixas pelas empresas, escassez e alto valor de crédito, alta liquidez do mercado, alta capitalização de fundos de ativos privados, empresas em risco de continuidade, queda no valor dos negócios, desvalorização do real, entre outros.
Sobre o emprego de tecnologia no retorno às operações do “novo normal”, Norberto Tomasini afirmou que muitas empresas não possuem sistemas ou processos para rastrear toda a sua força de trabalho. Ele também apontou que a decisão do STF – Supremo Tribunal Federal, de considerar a Covid-19 uma doença ocupacional, torna a retomada das atividades ainda mais crítica, uma vez que traz riscos de ações judiciais para as empresas.
Por isso, de acordo com Tomasini, uma série de questões relevantes devem ser consideradas antes da retomada das atividades, como investimento em informações geolocalizadas, controle de protocolos de saúde em larga escala e proatividade para implantação de mecanismos de rastreamento (vigilância ativa).
“Com a implantação de tecnologias de geolocalização, analytics e chatbots, por exemplo, as empresas vão ter ferramentas para compartilhar protocolos de atendimento, via whatsapp, por exemplo. Também poderão monitorar a saúde dos colaboradores e fazer agendamento de exames”, explicou Tomasini.