(21/06/2020) – Embora a crise provocada pela Covid-19 tenha interrompido a tendência de aceleração na criação de vagas pela indústria de transformação, o nível de emprego na área manteve-se superior ao do conjunto do setor privado no primeiro trimestre deste ano, inclusive no segmento com carteira assinada.
É o que mostra a edição 1007 da “Carta Iedi”, publicada no último dia 12 pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, e que traz uma análise baseada em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do trimestre, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o estudo do Iedi, no primeiro trimestre de 2020 a ocupação na indústria de transformação cresceu +1,1%, enquanto no restante do setor privado caiu -0,1%. Com carteira assinada, estas variações foram de +1,3% e +0,3%, respectivamente.
Já o rendimento real na indústria de transformação acelerou de +1,2% no quarto trimestre de 2019 para +2% no primeiro trimestre de 2020, também acima do total do setor privado (+1,5%).
No primeiro trimestre de 2020, em termos absolutos, o emprego na indústria de transformação teve acréscimo de 111 mil postos de trabalho, enquanto a ocupação total do setor privado aumentou apenas 71 mil pessoas no mesmo período.
A explicação para isto, segundo o Iedi, é o fato de o isolamento social ter sido adotado somente a partir do final do mês de março, e ser o emprego industrial majoritariamente formal (63,4%), o que deu margem para as empresas se adaptarem à abrupta queda de receita sem recorrer a demissões, por meio da antecipação de férias e acesso a programas emergenciais.
De qualquer forma, dos 24 ramos da indústria de transformação analisados no levantamento do Iedi, quase metade deles (46%) apontou redução do emprego no primeiro trimestre. As áreas mais afetadas foram as de madeira, couros e calçados, produtos químicos e minerais não metálicos.
O Iedi adverte, no entanto, que as quedas recordes do mês de abril, segundo a Pnad Contínua e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), indicam que a situação do emprego deverá mostrar piora em praticamente todos os setores da indústria.