
(24/05/2020) – Inspirado por outros projetos de produção de face shields, Ismael de Melo – docente da IFMG – Instituto Federal de Minas Gerais, em Ibirité – se uniu a outros professores para iniciar a fabricação de protetores faciais no campus, que conta com três impressoras 3D. A reitoria da instituição se interessou pelo projeto e organizou uma ação conjunta, reunindo os 18 campi da IFMG e 24 impressoras 3D.
Inicialmente, a meta era produzir 1.800 peças por mês. “Porém, a impressão 3D do suporte da face shield é muito lenta, leva por volta de duas horas e meia”, explica Melo. Foi quando colaboradores do campus de Ouro Preto tiveram a ideia de usinar essas peças, o que aumentaria a capacidade de produção e possibilitaria o atendimento de outros municípios, que não contam com campus da IFMG. “Apesar de desperdiçar bastante material, a usinagem do suporte é mais rápida do que a impressão 3D”, releva o professor.
Foi, então, iniciada uma divulgação com o objetivo de atrair voluntários que pudessem colaborar com a usinagem das peças. “Foi aí que o Conrado Diniz, COO da Mapal, entrou na iniciativa ajudando de maneira excepcional. Ele colocou a nossa disposição quatro máquinas para usinar os suportes”, conta Melo. A Mapal do Brasil, com matriz em Ibirité, é especializada na manufatura de ferramentas de precisão.
Segundo Melo, quando a Mapal decidiu buscar outros apoios para o projeto soube de uma força-tarefa coordenada pela Abinfer – Associação Brasileira da Indústria de Ferramentas. Entre as ações promovidas pela entidade (ao lado de pessoas/empresas voluntárias) está a injeção plástica de suportes para face shields. “Com injeção plástica poderíamos produzir 8 mil peças por dia. Então a Mapal, junto com a Abinfer, articulou o envio de 16 mil suportes produzidos pela empresa Durín Plásticos, de Joinville, para Ibirité”, explica o docente. O envio foi feito de forma gratuita.
No total, já foram distribuídas 12 mil face shields para cerca de 30 municípios de Minas Gerais. Até o final da próxima semana todos os protetores faciais —16 mil unidades – devem estar devidamente distribuídos. A distribuição é feita pelo IFMG e pela Fundação Helena Antipoff de forma independente e, também, em parceria com a secretaria de saúde local, para facilitar a logística. O transporte de materiais de consumo também foi feito gratuitamente, pelas empresas Kromi Logística do Brasil, Transportadora Aceville, Transportadora Pajuçara e Oerlikon Balzers.
Após atingir a meta de entregar 16 mil máscaras, o IFMG – Ibirité deve se dedicar a outros projetos, como a produção de respiradores mecânicos. De acordo com Melo, muitos projetos open source de ventiladores estão aguardando a aprovação da Anvisa e, assim que isso acontecer, o campus Ibirité vai focar na produção do primeiro modelo certificado. “Estamos acompanhando. Assim que houver uma aprovação, a nossa ideia é focar no respirador. A gente tem mão de obra e corpo docente qualificado em Ibirité, e nos demais campi, para isso. A Mapal também já se colocou à disposição para ajudar na produção de respiradores”, finaliza Ismael de Melo.
Rede de Colaboração – Em outra iniciativa, a Pró-Reitoria de Extensão e Pró-Reitoria de Pesquisa do IFMG estão engajadas na produção de face shields. O projeto Rede de Colaboração conta com o apoio da empresa Sumikiro Indústria de Borrachas, que tem sede em Mateus Leme, na região metropolitana de Belo Horizonte.
O IFMG fornece os insumos (com orçamento próprio e doações), enquanto a Sumiriko é responsável pelo projeto do molde e pela injeção plástica do suporte para as máscaras. A usinagem do molde foi feita, gratuitamente, pela empresa Injemolding Ferramentaria, de Vinhedo (SP), que faz parte da cadeia de fornecedores da Sumiriko. A parte frontal dos protetores faciais está sendo cortada nos laboratórios do campus de Ibirité.
A ação conjunta pretende distribuir 22 mil face shields para profissionais que atuam no atendimento de pacientes infectados pelo novo coronavírus. Até o momento, cerca de 15 mil unidades já foram fabricadas.
