
(03/05/2020) – A startup paulista Nanox, empresa filha da UFScar – Universidade Federal de São Carlos, desenvolveu uma máscara reutilizável que promete conferir maior nível de proteção contra a contaminação pelo novo coronavírus. O produto é resultado de uma parceria com a fabricante de brinquedos Elka, que buscava uma forma de utilizar parte ociosa de seu parque de injetoras para desenvolver um produto voltado a auxiliar no combate ao coronavírus. A Elka pretende doar até 10% da produção a instituições de saúde.
A máscara, moldável aos contornos do rosto, é composta por um polímero flexível (semelhante a uma borracha). O protetor facial traz, incorporadas em sua superfície, micropartículas à base de sílica e prata que possuem propriedades antimicrobianas. “As micropartículas de prata e sílica aumentam o nível de proteção ao impedir a presença na máscara de fungos e bactérias, que podem facilitar a adesão do novo coronavírus na superfície de materiais”, diz Luiz Gustavo Pagotto Simões, diretor da Nanox.
O EPI é totalmente esterilizável, basta lavá-lo com água e sabão antes e após o uso. Além disso, para proteger as vias respiratórias, a máscara conta com dois filtros descartáveis do tipo PFF2, similares ao do tipo N95 utilizado por profissionais de saúde. De acordo com Simões, a quantidade de material necessário para produzir os filtros também é muito inferior à utilizada para produção das máscaras convencionais.
Os filtros são inseridos em respiradores nas laterais da máscara e protegidos por tampas, impedindo o contato físico e a contaminação pelo toque direto com as mãos. “O tempo para substituição dos filtros precisará ser estabelecido pelos serviços de saúde”, pondera Simões.
Segundo a Nanox, os filtros da máscara estão em concordância com a RDC 142 do Ministério da Saúde, que estabelece requisitos para fornecedores de matérias-primas para produtos absorventes descartáveis de uso externo. O material também passou por testes de eficiência de filtragem bacteriológica – que determinam a eficiência da filtração bacteriana de um produto -, alcançando o valor mínimo de 95% requerido pela regulamentação técnica para máscaras respiratórias do tipo N95.
“A meta é obter posteriormente a certificação do material como PFF2, equivalente a N95. Mas o produto já pode ser comercializado porque, em razão da pandemia do novo coronavírus, a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] flexibilizou as normas para fabricação de alguns produtos voltados ao combate da Covid-19. Isso possibilitou que a Elka fabricasse as máscaras”, explica o diretor da Nanox.
As primeiras unidades da máscara devem chegar ao mercado no início de maio, com preço estimado entre R$ 20,00 e 30,00. Inicialmente, a Nanox vai fabricar 200 mil unidades. “Recebemos seis pedidos antes do lançamento oficial do produto. A ideia é atender inicialmente o mercado nacional e que a máscara possa ser utilizada não só por profissionais de saúde que estão na linha de frente de atendimento de pacientes com Covid-19, mas pela população em geral”, afirma Simões.
É importante ressaltar, conforme lembrado por Simões, que apesar de já demonstrado que as micropartículas de prata e sílica têm ação contra alguns tipos de vírus, ainda não há comprovação de que elas são capazes de eliminar diretamente o Covid-19. “As micropartículas têm potencial para atuar contra o coronavírus. Mas pretendemos realizar testes para comprovar essa hipótese”, afirma.