(03/05/2020) – Parte substancial dos R$ 250 bilhões de investimentos públicos e privados que o governo federal pretende direcionar dentro do programa Pró-Brasil – com o qual pretende minimizar os efeitos da pandemia do Covid 19 e estimular a atividade econômica – deverá priorizar projetos de rodovias, ferrovias e aeroportos.
Foi o que afirmou, em encontro on-line com empresários, o ministro da Infraestrutura Tarcísio Freitas, segundo quem, nas conversas que vem mantendo com investidores internacionais, eles demonstraram interesse nos ativos oferecidos no país.
“Mas para atrair os investimentos privados será preciso antes realizar um trabalho de regulação e simplificação, a única forma de ambos os lados firmarem um bom negócio”, observou o ministro.
De acordo com Freitas, estão previstas concessões de 18 mil km de rodovias e de 41 aeroportos, duas privatizações de portos (dentre os quais o de Santos) e investimentos diversos em ferrovias.
“O governo tem um plano ambicioso para o setor ferroviário, envolvendo a linha de integração centro-oeste, a ferrovia norte-sul, o trecho Vitória-Minas e outros ramais em operação, que devem ter substituídos os trilhos para aumentar o número de vagões”, explicou. Segundo ele, serão 7 as ferrovias incluídas no programa.
Freitas afirmou que a crise do coronavírus não paralisou as obras e projetos desenvolvidos por sua pasta, apenas imprimiu um ritmo menor a eles, mas sem prejuízo nos cronogramas.
“Foram entregues neste período 12 obras, inclusive um trecho da BR-381, e realizados 29 leilões, um deles o do porto pesqueiro no Ceará”, disse ele.
O programa Pró-Brasil tem sido alvo de críticas por parte de alguns especialistas. Para Álvaro Martim Guedes, professor do Departamento de Administração Pública da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara, o governo erra ao não basear o programa nas Parcerias Público-Privadas (PPPs).
“O déficit da infraestrutura brasileira não será reduzido se o governo quiser agir sozinho, ou deixar tudo nas mãos da iniciativa privada”, afirma. “O avanço só será possível com uma parceria bem amarrada entre as duas instâncias, como várias experiências internacionais já comprovaram com sobras”.