(28/07/2019) – Nem bem o ano de 2019 havia começado quando a Cummins Brasil, filial da norte-americana fabricante de motores diesel, recebeu uma péssima notícia: a Ford havia decidido paralisar a produção de caminhões no País e encerrar as atividades da fábrica de São Bernardo do Campo (SP). A Ford era, até então, um dos principais, senão o principal, cliente da filial brasileira. Para se ter uma ideia, em 2018, a Ford era o destino de cerca de 25% dos motores produzidos na fábrica da Cummins em Guarulhos (SP).
“A saída da Ford teve forte impacto, mas não é o fim do mundo”, observou Luís Pasquotto, CEO da Cummins Brasil, na semana passada, durante o lançamento do grupo gerador B3.3, emissionado, com tecnologia para atender níveis de emissões MAR.1, na sede da empresa.
Para compensar a perda, foi montada uma estratégia envolvendo, entre outras ações, o uso da capacidade da engenharia para a atração de novos clientes, tanto fabricantes de caminhões quanto de veículos fora de estrada. A filial também se mobilizou para ampliar a produção de geradores (inclusive para exportação), além de voltar parte da produção de componentes, como blocos e cabeçotes, para a matriz e outras plantas do grupo.
De acordo com o executivo, esse conjunto de ações já começa a mostrar resultados, permitindo que o faturamento total da filial em 2019 (em dólares) ficará no mesmo patamar de 2018. Já a produção de motores deve ficar abaixo do ano passado, caindo de 42 mil para cerca de 35 mil – a Ford consumia entre 12 e 15 mil motores por ano.
Pasquotto considera, porém, que o cenário ideal seria que algum outro fabricante de caminhões adquirisse a planta de São Bernardo do Campo, que tem previsão de paralisar totalmente a produção em setembro próximo. O executivo opta por não citar nomes de possíveis compradores, mas sabe-se que entre os interessados estão clientes e parceiros da Cummins.
