
(07/07/2019) – O acordo de livre comércio envolvendo os 28 países da União Europeia e as quatro nações que fazem parte do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), fechado no último dia 28 de junho, foi recebido pela indústria brasileira com satisfação, em algumas áreas, e com alguma cautela, em outras.
Os países dos dois blocos formarão uma das maiores áreas de livre comércio do planeta – juntos, representam 25% da economia mundial e um mercado de 780 milhões de pessoas. O acordo eliminará de modo gradual as tarifas de importação de mais de 90% dos produtos comercializados entre os dois blocos.
“Esse acordo cria novas oportunidades de exportação para a nossa indústria ao mesmo tempo em que abre o mercado brasileiro para produtos e serviços europeus, o que exigirá do Brasil o aprofundamento das reformas domésticas”, elogiou o presidente da CNI – Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade.
Outro que se mostra entusiasmado é Afonso Gonzaga, presidente da Abifa – Associação Brasileira de Fundição. Para ele, com o acordo, o setor de fundição brasileiro disporá de um novo e enorme mercado. “Com certeza, irá proporcionará um acréscimo de no mínimo 30% nos nossos negócios”, acredita Gonzaga.
Embora favorável ao acordo, a Abimaq disse, em nota, que ainda não há clareza sobre questões de relevância para a indústria de bens de capital, como cronogramas, regras de origem, compras púbicas e defesa comercial. Por isso, a entidade aguarda a divulgação dos textos finais do acordo para melhor avaliação do impacto no setor.
A entidade, porém, reconhece a importância do acordo e lembra que “o mercado europeu tem grande potencial para o crescimento das exportações brasileiras de bens agrícolas (…) . Pelo lado industrial, [os resultados] dependerão da concretização das reformas estruturais: da Previdência, para que o País tenha sustentabilidade em suas contas públicas, e, especialmente, da Tributária, para corrigir um sistema hostil ao investimento produtivo”.
Também cautelosa, a Anfavea, associação que reúne os fabricantes de veículos no Brasil, diz apenas que a indústria automotiva brasileira precisa aproveitar os anos necessários até a aprovação efetiva do acordo para ganhar produtividade e reduzir custos, se não quiser ser ofuscada pela concorrência externa.
Para a entidade, essas mudanças dependem de reformas estruturais que atraiam investimentos para o país e aumentem o nível de competitividade das empresas nacionais. “O Brasil agora tem data para estar preparado”, diz Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea. “Agora temos data para que o governo e a sociedade ataquem o Custo Brasil e melhorem nossa competitividade, pois iremos ingressar num jogo global de competição, repleto de oportunidades”.