(03/02/2019) – A lista com 28 exigências apresentada no último dia 22 pela GM ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP), onde fica uma das fábricas da montadora, é, em boa parte, ancorada na nova legislação trabalhista adotada no governo Temer. Segundo a GM, essas medidas são a principal condição para a empresa prosseguir com seus investimentos no Brasil, ou mesmo continuar no país.
É a primeira grande companhia multinacional a querer aderir em grande escala à nova legislação. Dentre as medidas, está o aumento de jornada de trabalho para 44 horas, a implantação de jornada intermitente, terceirizações, um acordo específico de flexibilidade da jornada por meio de banco de horas, exclusão da garantia de emprego aos empregados acidentados, diminuição do piso salarial para R$ 1.600 e a supressão de pagamento de horas extras com adicional diferenciado.
Como justificativa, o presidente da GM para o Mercosul, Carlos Zarlenga, distribuiu aos funcionários um comunicado alertando para “o momento muito crítico” que vive a empresa. De acordo com Zarlenga, a companhia teve prejuízo significativo no Brasil nos últimos três anos, um resultado que “não pode se repetir”. A GM também pretende negociar com o governo, fornecedores e distribuidores.
Da lista de medidas apresentada aos trabalhadores consta ainda a negociação de valor fixo em substituição ao aumento salarial, a redução do adicional noturno para o percentual previsto em lei, e nova grade salarial para toda a unidade de São José dos Campos, tanto para horistas como para mensalistas e cargos especializados, além da progressão salarial com congelamento neste ano de 2019.
Prevê ainda a revisão, inclusão, exclusão e adequação das cláusulas sociais e o fim do subsídio do transporte. O sindicato de São José dos Campos se posicionou contra qualquer plano que envolva demissões e flexibilização de direitos.
A GM conta com cinco fábricas no Brasil e emprega cerca de 20 mil trabalhadores diretos. A companhia, de fato, passa por uma grande reestruturação no mundo, tendo fechado seis fábricas no ano passado, sendo quatro nos EUA, uma no Canadá e outra na Coreia do Sul. Agora, é o Brasil que entrou no radar.