São Paulo, 03 de julho de 2026

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26/01/2019

A General Motors vai fechar fábricas no Brasil?


(27/01/2019) – Uma notícia ganhou destaque na semana passada na imprensa nacional: a General Motors estaria avaliando o fechamento de suas operações na América do Sul. Com cinco fábricas no Brasil (São Caetano, São José dos Campos e Mogi das Cruzes – SP, Gravataí – RS e Joinville – SC), além de uma na Argentina, a notícia mobilizou prefeituras e sindicatos das regiões afetadas. Afinal, a montadora emprega cerca de 20 mil trabalhadores diretos no País, que já conta com mais de 12 milhões de desempregados.

A informação repercutiu em vários jornais e sites a partir da divulgação de um comunicado do presidente da GM Mercosul, Carlos Zarlenga, dirigido aos funcionários da companhia. Nele, a montadora (atual líder do mercado nacional e fabricante do modelo mais vendido no País, o Onix ) informa que tem enfrentado perdas nos últimos três exercícios, tendo atingido “um momento crítico que exige sacrifícios de todos”. Ainda segundo Zarlenga, “novos investimentos locais dependem de um doloroso plano para voltar a lucrar no País“ e que o ano de 2019 será decisivo para a continuidade da operação local.

A mensagem ganha tons sombrios quando se sabe que a GM passa por uma reestruturação no mundo, que já levou ao fechamento de seis fábricas em 2018, sendo quatro nos EUA, uma no Canadá e outra na Coreia do Sul. Recentemente, ao divulgar o balanço financeiro de 2018 aos acionistas, a presidente mundial da companhia, Mary Barra, referindo-se à América do Sul, disse que “não vamos continuar investindo para perder dinheiro”. Segundo a executiva, os maiores mercados sul-americanos continuam sendo desafiadores e “partes interessadas” na região trabalham com a empresa para tomar ações necessárias para melhorar o negócio “ou considerar outras opções”.

Para alguns, a ameaça de deixar o País não passou de estratégia para forçar e facilitar negociações de cortes de custos com trabalhadores e fornecedores, além de obter benefícios do Estado. Esse parece ter sido também o entendimento de Carlos Costa, secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia. De acordo com notícia publicada na Folha de São Paulo, em reunião mantida com a cúpula da GM no Brasil, no dia 4 de janeiro, o secretário teria dito que “se for preciso fechar, fecha”.  (Tudo bem que o novo governo queira demonstrar seu firme propósito contrário à concessão de incentivos e subsídios à indústria, mas um pouquinho de diplomacia e canja de galinha não faz mal a ninguém).

Sindicatos e confederações de trabalhadores divulgaram nota conjunta, onde afirmam que repudiam “repudiamos esta possibilidade de paralisação da produção no Brasil e na América Latina, e também que nos seja exigido mais sacrifícios, como diz o comunicado da empresa, já que foram feitas várias concessões à GM e a empresa sempre querendo mais”. E continua: “Não aceitamos que a situação seja utilizada para reduzir mais direitos, nem demissões ou o fechamento de fábricas. Defendemos os empregos e queremos estabilidade!”.

Segundo o Automotive Business, a companhia já teria amenizado o tom durante reunião mantida com sindicatos e prefeitos de São Caetano e São José dos Campos, na terça-feira da semana passada. De acordo com a publicação, participantes da reunião relataram que no encontro Carlos Zarlenga negou a intenção de fechar fábricas no Brasil. A montadora, porém, continua se negando a dar qualquer informação oficial sobre o assunto.

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