(04/06/2017) – A Itaipu Binacional inaugurou no dia 2 de junho a primeira planta de produção de biometano do Brasil. A fábrica recebeu investimento de R$ 2,16 milhões e tem capacidade de produção de 4 mil m³/mês – um quinto da capacidade total da fábrica.
A produção de biometano (gás não poluente, com características similares às do gás natural, resultante da purificação do biogás, obtido a partir de mistura de esgoto, restos orgânicos e poda de grama) será destinada ao abastecimento de veículos. De acordo com Paulo Afonso Schmidt, superintendente de Energias Renováveis de Itaipu, essa produção é suficiente para abastecer de 80 a 100 veículos que rodem em média 800 km/mês. Para a produção do biometano, Itaipu irá consumir, mensalmente, 10 toneladas de restos de alimentos e resíduos orgânicos e 30 toneladas de poda de grama.
A fábrica foi construída entre 2015 e 2016 e, desde março, funciona em caráter experimental. "Essa é uma usina de última geração em termos de produção de biogás. Serve para a gente desenvolver o domínio de tecnologias, de sistemas, coisas que nos permitam apoiar outras iniciativas na região", afirmou o superintendente.
Schmidt espera ainda desenvolver processos e tecnologias que apoiem o produtor rural na área de produção de carnes, tendo em vista que o volume de dejetos animais, além de causar danos ao meio ambiente, apresenta risco para o reservatório de Itaipu. A transformação de dejetos animais em biometano, além de produzir energia para consumo próprio, poderia representar renda adicional para os produtores. O superintendente afirmou que a tecnologia poderá ser aplicada em prefeituras e empresas como fonte de produção de energia. "Itaipu vai apoiar iniciativas como essa", afirmou.
Eficiência – O projeto foi desenvolvido em parceria pela Itaipu Binacional, pelo Parque Tecnológico de Itaipu e pela Eletrobras. Segundo presidente do Centro Internacional de Energias Renováveis de Itaipu (CIBiogás), Rodrigo Régis, os recursos investidos na fábrica equivalem a menos de um terço do valor de um empreendimento similar feito na Alemanha, com a mesma eficiência.
Além de produzir biometano e biofertilizante, a fábrica reduz os gases de efeito estufa e traz benefícios para o tratamento de resíduos. O custo hoje para os produtores rurais é de R$ 0,09 por quilowatt-hora (km-h), gerando oportunidades de negócios, indicou. Para Itaipu, atualmente, o gasto por quilômetro rodado alcança R$ 0,26, contra R$ 0,36 o custo por quilômetro rodado com etanol.
Vantagens do biometano – Segundo o pesquisador Luciano Basto, da Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), o biometano é, do ponto de vista técnico, similar ao gás natural, podendo substituí-lo em todas as suas funções, com menor impacto ambiental.
“Se a gente substituir a importação de qualquer coisa por um produto nacional melhor para o meio ambiente e para a saúde humana, já é positivo”, afirmou Basto. Do ponto de vista do consumidor, o biometano tende a ser mais barato do que a gasolina, “o que acarreta uma segunda vantagem significativa", completou. A combustão desse produto ainda é menos danosa para o motor, o que aumenta a vida útil do equipamento e barateia a manutenção.
O Brasil tem potencial para produzir em torno de 100 milhões de m³/dia de biometano, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia. “Isso equivale ao que o Brasil importa de diesel e de gasolina”, analisou o pesquisador. Ele afirmou que, caso haja fábricas de biometano para uso veicular nos diversos estados do país, “existe biomassa residual suficiente na agricultura, na pecuária confinada, na agroindústria e nos resíduos urbanos líquidos e sólidos para abastecer toda a demanda hoje atendida por importação”. Diversos tipos de veículos, como ônibus, caminhões e veículos leves poderiam utilizar o combustível.
A tecnologia já é totalmente dominada no mundo, capitaneada pelo gás de xisto nos Estados Unidos, que estimulou que as montadoras desenvolvessem veículos pesados a gás. “Como o biometano é igual ao gás natural, não há problema quanto à sua utilização”, afirmou Basto.
O biometano ainda mitiga emissões de gases de efeito estufa, assunto em voga diante da decisão dos Estados Unidos de se retirar do Acordo de Paris, compromisso global de redução dessa emissão. “O mundo inteiro está atrás dessa questão do Acordo de Paris, e o Brasil tem mais um ingrediente muito positivo nessa esfera, a custos muito competitivos”, declarou o pesquisador.
Fonte: Agência Brasil