
(18/09/2016) – As fábricas da Volkswagen de Taubaté (SP), São Carlos (SP) e São José dos Pinhais (PR) retomaram suas atividades parcialmente na última quinta-feira, após quase um mês paralisadas. A fábrica de São Bernardo do Campo deve reiniciar as operações na próxima terça-feira.
A paralisação se deu após o rompimento comercial com o Grupo Prevent, proprietário de alguns fabricantes de autopeças (Keiper, Fameq, Cavelagni e Mardel), fornecedores de bancos e peças e conjuntos estampados. Em comunicado de imprensa, a Volkswagen informou que nomeou cerca de dez novos fornecedores de itens como estruturas de bancos e de carrocerias, com o objetivo de deixar de ser dependente de apenas um parceiro.
O presidente da Volkswagen do Brasil, David Powels, disse que a montadora vai elevar a produção para 50 mil carros/mês entre outubro e novembro para repor os estoques consumidos durante a paralisação. Antes da paralisação, a montadora produzia em média 35 mil veículos mês.
“Nós tivemos durante os últimos 20 meses muitos problemas com um grupo de fornecedores. Agora, estamos resolvendo”, disse Powels ao jornal O Estado de S. Paulo. A Volkswagen alega que começou a ter problemas de desabastecimento em 2015, quando o Grupo Prevent, de empresários da Bósnia, adquiriu várias fabricantes brasileiras com as quais mantinha contratos.
A Keiper, uma das empresas do Grupo Prevent, demitiu no início de setembro 724 funcionários (os cortes podem chegar a 900 até o fim do mês). Segundo a empresa, o motivo foi a rescisão do contrato com Volks. Os cortes foram feitos em unidades do grupo em Mauá, Araçariguama, São Paulo e Ribeirão Pires, todas no Estado de São Paulo.
A empresa também divulgou comunicado à imprensa: “A Keiper lamenta que a Volkswagen tenha provocado esta situação justamente quando o setor automotivo precisa de estimulo para se recuperar das vendas que estão em queda em todo o Brasil”, diz, em nota assinada, Marino Mantovani, presidente da Keiper no Brasil. A empresa alega que 85% do seu faturamento vinha do fornecimento de estruturas de bancos às unidades da Volkswagen, para as quais era fornecedora exclusiva. Diz ainda que o desentendimento começou quando o grupo pediu reajustes nos valores dos contratos, que estariam defasados em mais de 20%.
Também em nota, a Volkswagen informa que “rescindir os contratos e recorrer à Justiça para reaver os ferramentais de sua propriedade foi a última alternativa após o descumprimento de 11 acordos comerciais estabelecidos com o grupo desde março de 2015, quando tiveram início as interrupções de fornecimento que geraram a perda de produção de cerca 150 mil veículos em mais de 160 dias de paralisação nas fábricas da empresa.”