
(19/06/2016) – Cerca de um mês após a troca de comando na política nacional (e principalmente no comando da economia), o mercado brasileiro de ferramentas de corte para usinagem segue em compasso de espera. “Existe uma expectativa de que agora o quadro irá melhorar. Porém, essa expectativa de um cenário melhor ainda não se refletiu no volume de negócios”, analisa Cláudio Camacho, diretor-presidente da Sandvik Coromant do Brasil.
Em termos práticos pode-se dizer que o mercado se encontra no mesmo ritmo de um ano atrás, mas já é possível observar alguns movimentos que indicam possíveis mudanças no médio prazo. É o caso dos estudos de viabilidade de nacionalização de autopeças, até aqui importadas. “Com o novo patamar do câmbio, algumas empresas estão avaliando a possibilidade de produzir localmente produtos que eram importados”, diz Camacho, ressalvando que essas ações ainda estão no nível de consulta, em estudos junto a fabricantes de máquinas.
Camacho lembra que a indústria de ferramentas, assim como a de máquinas, é muito dependente do setor automotivo, que responde por mais de 50% do consumo de ferramentas de corte no Brasil. Assim, um impulso que poderia sinalizar uma inversão da curva nas vendas depende em grande parte de uma retomada da produção de veículos no Brasil. Porém, as previsões da Anfavea, recém-divulgadas, apontam para redução no volume de produção em 2016 na comparação com 2015 – vale lembrar que no ano passado o setor automotivo já havia registrado queda de 22,8% em relação a 2014.
“Outros setores industriais, como o aeroespacial, ferroviário, eólico e a área médica continuam aquecidos e com boas perspectivas”, observa Camacho. “Mas os maiores problemas estão no setor automotivo, especialmente caminhões, e o de petróleo e gás estava muito forte há dois, três anos e agora está praticamente parado”.
Tomando por base esse quadro, o diretor-presidente da Sandvik Coromant avalia que a perspectiva para este momento é que os negócios tendem a ficar no atual ritmo até o final do ano, começando a melhorar a partir de 2017, ainda de forma tímida. “Ainda persistem algumas incertezas na economia e na política, o que mantém investidores e consumidores com o pé no freio”.
Por outro lado, a Sandvik Coromant tem melhores perspectivas de crescimento com a conquista de market share. A estratégia adotada para 2016, de concentrar o foco na área de fresamento, tem trazido resultados positivos. Dois produtos lançados este ano, a CoroMill R390 07, fresa de topo com pastilhas a 90º, e a CoroMill 745, fresa econômica com 14 arestas, têm tido boa receptividade entre os clientes brasileiros. “A introdução desses produtos no Brasil foi um sucesso, com a conquista de novos clientes e a reconquista de outros na área de fresamento”.