São Paulo, 08 de julho de 2026

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11/06/2016

Pesquisa revela o perfil da indústria 4.0 no Brasil


(12/06/2016) – A CNI – Confederação Nacional da Indústria concluiu a primeira pesquisa nacional sobre adoção de tecnologias digitais relacionadas à manufatura avançada, a chamada indústria 4.0. A pesquisa ouviu 2.225 empresas de todos os portes e foi feita entre 4 e 13 de janeiro de 2016.

De acordo com a CNI, a maior parte dos esforços feitos pela indústria no Brasil está na fase dos processos industriais: 73% das empresas que afirmaram usar ao menos uma tecnologia digital, fazem isso na etapa de processos. Outras 47% utilizam ferramentas digitais na etapa de desenvolvimento da cadeia produtiva e apenas 33% em novos produtos e novos negócios.

De acordo com o levantamento, a indústria brasileira segue caminho natural: no primeiro momento, otimiza processos para, então, mover-se para aplicações mais voltadas a desenvolvimento, a produtos e novos modelos de negócios. “Considerando que a indústria brasileira precisa competir globalmente e que se encontra atrás nessa corrida, é preciso saltar etapas. O esforço de digitalização precisa ser realizado, simultaneamente, em todas as dimensões”, afirma o gerente de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca.

A digitalização é o primeiro passo para a indústria entrar nesse novo patamar tecnológico. Em outros países onde a indústria 4.0 está mais avançada, ela já propiciou o aumento da produtividade e a redução de custos de manutenção de equipamentos e do consumo de energia, e o aumento da eficiência do trabalho.

A pesquisa mostra também que a indústria brasileira ainda está se familiarizando com a digitalização e com os impactos que esta pode ter sobre a competitividade. Entre as empresas consultadas, 42% não identificaram quais tecnologias digitais, em uma lista com 10 opções (*), têm o maior potencial para impulsionar a competitividade da indústria.

DESAFIOS – Na visão de Renato da Fonseca, a pesquisa mostra o desafio que está colocado para o Brasil neste momento. “É preciso aproximar especialistas e indústria para ampliar o conhecimento sobre os ganhos que o país pode ter com a mudança de patamar da indústria”, avalia. É necessário identificar as aplicações industriais nacionais que podem se beneficiar mais com o avanço tecnológico.

O governo, por sua vez, pode contribuir para o aumento da digitalização no Brasil se promover a infraestrutura digital, investindo e estimulando a capacitação profissional e também a criação de linhas de financiamentos específicas. O documento também considera que a criação de plataformas de demonstração poderia ser uma iniciativa eficaz para estimular a disseminação do conceito de digitalização e o estabelecimento de parcerias entre clientes e fornecedores das novas tecnologias.

Principais Resultados da Pesquisa

O setor de equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos tem o maior percentual de empresas que utilizam pelo menos uma das 10 tecnologias digitais avaliadas: 61% das empresas. Esse setor aparece em 1º lugar no ranking do uso em todos os estágios da cadeia: 43% das empresas utilizam tecnologias focadas em processo; 41% utilizam tecnologias ligadas à etapa de desenvolvimento e 22% utilizam tecnologias com foco no produto ou em novos modelos de negócios.

O setor de máquinas, aparelhos e materiais elétricos aparece praticamente empatado com equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos em termos do percentual de empresas que utilizam pelo menos uma das tecnologias digitais de um modo geral (60%). Em relação ao uso das tecnologias digitais segundo os estágios da cadeia, esse setor também aparece nas primeiras posições nos rankings do uso de tecnologias ligadas ao desenvolvimento e ao produto. Já em relação ao uso de tecnologias focadas em processo, ocupa a quarta posição (36% de assinalações).

48% das empresas consultadas utilizam tecnologias digitais – Pouco menos da metade das empresas industriais utiliza, pelo menos, uma das 10 tecnologias digitais listadas na pesquisa, como automação digital sem sensores; prototipagem rápida ou impressão 3D; utilização de serviços em nuvem associados ao produto ou incorporação de serviços digitais nos produtos.

Outros dois pontos destacados pelos responsáveis pela pesquisa é que reduzir custos e aumentar produtividade estão entre os benefícios mais buscados pelos usuários. De outro lado, o alto custo de implantação é principal barreira.

(*) Para a realização da pesquisa, foram consideradas 10 tecnologias digitais, dividida nas áreas de processo, desenvolvimento e produto:

PROCESSO – Automação digital sem sensores; Automação digital com sensores para controle de processo; Monitoramento e controle remoto da produção com sistemas do tipo MES e SCADA; Automação digital com sensores com identificação de produtos e condições operacionais, linhas flexíveis

DESENVOLVIMENTO – Sistemas integrados de engenharia para desenvolvimento de produtos e manufatura de produtos; Manufatura aditiva, prototipagem rápida ou impressão 3D; Simulações/análise de modelos virtuais (Elementos Finitos, Fluidodinâmica Computacional, etc.) para projeto e comissionamento

PRODUTO – Coleta, processamento e análise de grandes quantidades de dados (big data); Utilização de serviços em nuvem associados ao produto; Incorporação de serviços digitais nos produtos (“Internet das Coisas” ou Product Service Systems)

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