
(08/12/2015) – Levantamento realizado pela Love Mondays, comunidade de carreiras na qual os próprios usuários registram seus salários, aponta que 21 de 26 cargos analisados registraram aumento inferior à inflação, de 9,57% no ano, segundo o IBGE. Entre as posições com maior retração salarial, está a de gerente, com queda de 23%.
“O caso dos gerentes é o mais emblemático para exemplificação de como a crise tem afetado o mercado de trabalho. É possível que a posição venha sendo afetada pela substituição, ou seja, os profissionais atuais são substituídos por outros que estão disponíveis no mercado e que aceitam uma remuneração menos competitiva”, observa a CEO da Love Mondays, Luciana Caletti. Outras posições que tiveram perdas acentuadas são as dos supervisores (-11%); professores (-9%); operador de caixa (-9%) e consultores (-6%).
Na média geral, de acordo com a Love Mondays, os salários registraram elevação de 0,57% no ano. Porém, descontada a inflação, temos uma perda de 9 pontos percentuais nos salários em 2015. Além disso, o site apurou que 13 setores promoveram reajustes abaixo da inflação.
O levantamento foi realizado a partir de 11.909 salários declarados por profissionais no site em 2014, em comparação com 49.405 salários declarados em 2015. A Love Mondays acrescenta que, quando o profissional declara seu salário, ele também relata o setor e a cidade onde trabalha, bem como o ano em que recebeu tal remuneração.
Dos 4 cargos que registraram alta superior ao índice de inflação, nenhum exige formação universitária completa. São eles: atendente (11%); assistente (12%); técnico (13%) e motorista (15%). “São profissões em que a remuneração tem um piso menor e que se caracterizam por apresentar um nível de turnover muito alto. Essa realidade faz com que as empresas invistam em uma remuneração mais atrativa para buscar bons profissionais”, analisa a executiva.
Setores – Dos 26 setores analisados pela pesquisa salarial, 13 promoveram reajustes abaixo da inflação. “O ano de 2015 vem sendo um ano bastante difícil para a maioria, porém, alguns setores sentem de forma mais acentuada os impactos da crise. Muitos promoveram redução no quadro de funcionários ou substituíram profissionais por outros que aceitavam remuneração inferior”, afirma Caletti.
O setor de serviços foi o que registrou a maior perda salarial do ano, ficando na casa de -8%. Se o segmento pagava um salário médio de R$ 2.637,73 em 2014, atualmente o salário médio registrado é de R$ 2.433,36. Os rendimentos dos profissionais da indústria têxtil também apresentaram queda de – 8%, atingindo a média de R$ 2.203,68 contra R$ 2.385,18 no ano passado. Outros setores que apresentaram rendimentos médios inferiores significativos este ano são: TI & Telecom (-5%); Eletrônico (-3%) e Papel e Celulose (-2%).
Apenas 2 setores mantiveram salários médios estagnados este ano. São eles: Consultoria & Contabilidade e Educação, com R$ 3.636.58 e R$ 2.940,80, respectivamente.
Em alta – Dos 13 setores que concederam reajuste salarial acima da inflação o destaque fica para o setor de atacado que passou de uma remuneração média de R$ 1.346,06 para R$ 1.749,99, o que representa aumento de 33%.
A segunda posição é ocupada pelo setor de água e saneamento, que registrou aumento na remuneração média de 30%, passando da média de R$ 2.696,83 em 2014 para R$ 3.499,54. Bens de consumo (+25%); Metalurgia e Mineração (+24%); Agropecuária (+22%), Manufatura Industrial (+ 20%) também tiveram destaques neste quesito.
“Não é para todos os setores que a alta do dólar teve um impacto negativo. Em alguns setores, como o de commodities agrícolas e minerais, o preço dos produtos se tornaram mais competitivos no mercado internacional, impulsionando as exportações. Com o crescimento das vendas é natural que as empresas aumentem o quadro de funcionários ou remunerem melhor os atuais funcionários”.

